A Tragédia
Escrita por Eurípedes, Medéia narra o drama de uma mulher que deixou tudo para trás, sua pátria e família para seguir ao lado de um grande amor, até ser traída por ele.
Jasão, líder dos argonautas, parte para Cólquida em busca do Velocino de ouro, missão que lhe é imposta para que consiga retomar o trono de Iolco. No caminho conhece e se apaixona por Medéia que, embora filha de rei, ela usa seus poderes de feiticeira para ajudar Jasão a vencer os obstáculos impostos por seu pai.
Saem vitoriosos, porém Medéia é traída pelo marido que a abandona para se casar com a filha do rei Creonte.
Injustiçada e furiosa a feiticeira não poupa esforços para vingar-se de Jasão. Mata os filhos que teve com o marido e lança sobre ele terrível maldição…
Eurípedes é um dos trágicos mais conhecidos e estudados. Foi o responsável por levar para a tragédia dramas individuais e cotidianos, e por incorporar nos textos as mudanças que ocorriam no pensamento do homem grego, que buscava justificar suas ações e relativizar valores até então inquestionáveis.
domingo, 23 de maio de 2010
Ser Pedagogo...
Ser Pedagogo...
Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista
não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade,
é triste pensar assim, muito triste
pois este é o mundo dos nossos filhos
crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.
Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.
Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista
não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade,
é triste pensar assim, muito triste
pois este é o mundo dos nossos filhos
crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.
Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.
domingo, 16 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Eterno companheiro
Folha Dirigida, 25/02/2010 - Rio de Janeiro RJ
Ninguém ignora, em nossos dias, a importância de incorporar à educação escolar, no seu dia a dia, as novas tecnologias, para enriquecer a prática docente e para despertar, nos alunos, o interesse pela pesquisa, para buscar informações e aprender a selecioná-las, incorporando-as às que são obtidas em sala de aula, trazidas pelos professores, pelos livros didáticos e outros materiais de leitura. Ninguém ignora, em nossos dias, a importância de utilizar as tecnologias disponíveis nos programas de formação de professores e nos de educação continuada, que têm como objetivo atualizar e aperfeiçoar os conhecimentos dos professores já em exercício. Estes programas podem ser presenciais, semi-presenciais ou à distância. Entretanto, todos os benefícios que a utilização de novas tecnologias possam trazer, e trazem, ao processo educacional, isto é, ao ensino e à aprendizagem, não substituem a presença física dos professores, não substituem a construção conjunta dos conhecimentos, o desenvolvimento das competências e habilidades, o ensinamento de valores éticos e morais, o que pressupõe a presença do professor e seu perfeito domínio dos conteúdos a serem trabalhados e a aplicação de uma didática adequada que permita a permanente interatividade entre alunos e mestres, que mantenha os alunos interessados, motivados, participativos, reflexivos, inquiridores. Assim, também, não substituem o livro impresso, até porque as novas mídias, ao disponibilizarem livros pela internet, não têm esta intenção, nem este poder.
Há uma diferença substancial, entre ler um livro via internet e ter o livro em nossas mãos. O leitor contumaz, além de ler, sente o "cheiro" do livro, manuseia suas páginas com amor, volta a períodos ou capítulos já lidos para uma releitura (é claro que isto pode acontecer numa leitura pela internet); sente o autor mais perto de si, dialoga com ele, visualiza os personagens, entra nos cenários. O hábito da leitura deve começar, desde cedo, com o manuseio dos livros infantis, que contêm mais figuras do que texto, e vai evoluindo para formar o leitor que sente inúmeras sensações durante a leitura, sofre e alegra-se com as situações vividas pelos personagens criados pelo autor. A leitura do livro impresso permite melhor comparar a realidade e a ficção. ou formação, seja na linha do entretenimento, do enriquecimento cultural, é um padrão comportamental cultural indissociável a todas as sociedades desenvolvidas. É um indicador de grau de desenvolvimento de um povo que, embora nem sempre se associe ao desenvolvimento econômico, indica sempre o grau de desenvolvimento cultural. O hábito da leitura, além de permitir um entretenimento sadio e ampliar os horizontes culturais dos leitores, tem reflexos sobre a escrita. Escreve bem, quem tem o hábito de ler. A leitura leva o indivíduo a um maior grau de informação, de autonomia, de reflexão. Evidente que a possibilidade das pessoas acessarem a internet e terem, à sua disposição, obras nacionais e estrangeiras de qualidade, é um poderoso aliado para a formação do hábito de leitura, para o enriquecimento cultural.
Como professora, sempre procurei colocar livros nas mãos de meus alunos, ensinando-os a ter prazer em folheá-los, a sentir o "cheiro" da tinta da impressora da gráfica que os editou, a levá-los a compreender o que leram, a reproduzir com suas palavras o que os autores escreveram. Sem falar nos livros didáticos e outros materiais impressos que foram, sempre, muito utilizados, em minhas salas de aula. Penso que, se hoje, ainda estivesse numa sala de aula, utilizaria, sim, tecnologias que pudessem enriquecer minhas aulas; que auxiliassem os alunos em suas pesquisas, sobretudo, aprender a buscar as informações, saber selecioná-las, pois a soma das informações dadas pelo professor com a riqueza das informações liberadas pelas multimídias só valorizaria a aprendizagem. Entretanto, quanto à leitura de entretenimento, continuaria utilizando os livros impressos. Quantas coisas passam em nossos pensamentos, diante das folhas amarelecidas de um livro lido na adolescência, relido na juventude, na maturidade ou na velhice. Ao abordar o tema da utilização das tecnologias no processo educacional, gostaria de focalizar um outro aspecto.
Equipar todas as escolas de um sistema de ensino com computadores ligados à internet, por si só, não melhorará a qualidade de ensino, se os professores não os souberem utilizar em toda a sua potencialidade e se não melhorarem seu próprio domínio dos conteúdos que deverão trabalhar com seus alunos; se não souberem enriquecer suas aulas com a riqueza das informações disponibilizadas pelas várias mídias. Do mesmo modo, ao utilizar as tecnologias, sobretudo a TV ou vídeos para programas de educação continuada dos professores em exercício, é importante ter em mente: a) o número de programas necessários para alcançar o objetivo, pois uma capacitação com poucos programas não mudará o grau de conhecimento nem a prática docente dos professores; b) sempre que possível, os programas deverão prever a interatividade, para que as dúvidas sejam esclarecidas e as respostas dadas pelos especialistas presentes no estúdio, se os programas forem ao vivo, atinjam não só quem questionou, mas cheguem como luz e apoio, a toda a clientela que está participando da capacitação. Daí a importância da recepção organizada, que permite a utilização de material impresso para apoiar os programas televisivos, ao vivo, ou pelos vídeos e que crescerá de importância se contar com a presença de um orientador de aprendizagem para ser o mediador dos multimeios utilizados.
Além disso, a recepção organizada permite a avaliação dos programas oferecidos e as melhorias provocadas por eles, na formação dos professores. Só assim poderemos fazer uma avaliação de mérito (qualidade e adequação dos programas) e de impacto (resultados). Ter tecnologias à disposição das escolas é muito importante, pois isto, além de fazer parte da "modernidade", enriquece a prática docente, aumenta as fontes de informação. Entretanto, o mais importante é saber utilizá-las a serviço de um melhor ensino e de uma eficiente aprendizagem. Quanto à leitura de livros de entretenimento, para ampliação da bagagem cultural, deixemos que nossos alunos tenham a oportunidade lúdica de folhear os livros, de ficarem mais próximos dos autores e personagens, incluindo-se nos cenários. E lembremos aos professores o quanto é importante, após a leitura, abrir um espaço para que os alunos discutam os livros que leram, emitam sua opinião. Esse intercâmbio das leituras realizadas pelos alunos e entre eles, é um desdobramento que a leitura permite e que amplia o universo cultural dos alunos, ensinando-os a criar textos, a escrever com criatividade, elegância e correção.
Ninguém ignora, em nossos dias, a importância de incorporar à educação escolar, no seu dia a dia, as novas tecnologias, para enriquecer a prática docente e para despertar, nos alunos, o interesse pela pesquisa, para buscar informações e aprender a selecioná-las, incorporando-as às que são obtidas em sala de aula, trazidas pelos professores, pelos livros didáticos e outros materiais de leitura. Ninguém ignora, em nossos dias, a importância de utilizar as tecnologias disponíveis nos programas de formação de professores e nos de educação continuada, que têm como objetivo atualizar e aperfeiçoar os conhecimentos dos professores já em exercício. Estes programas podem ser presenciais, semi-presenciais ou à distância. Entretanto, todos os benefícios que a utilização de novas tecnologias possam trazer, e trazem, ao processo educacional, isto é, ao ensino e à aprendizagem, não substituem a presença física dos professores, não substituem a construção conjunta dos conhecimentos, o desenvolvimento das competências e habilidades, o ensinamento de valores éticos e morais, o que pressupõe a presença do professor e seu perfeito domínio dos conteúdos a serem trabalhados e a aplicação de uma didática adequada que permita a permanente interatividade entre alunos e mestres, que mantenha os alunos interessados, motivados, participativos, reflexivos, inquiridores. Assim, também, não substituem o livro impresso, até porque as novas mídias, ao disponibilizarem livros pela internet, não têm esta intenção, nem este poder.
Há uma diferença substancial, entre ler um livro via internet e ter o livro em nossas mãos. O leitor contumaz, além de ler, sente o "cheiro" do livro, manuseia suas páginas com amor, volta a períodos ou capítulos já lidos para uma releitura (é claro que isto pode acontecer numa leitura pela internet); sente o autor mais perto de si, dialoga com ele, visualiza os personagens, entra nos cenários. O hábito da leitura deve começar, desde cedo, com o manuseio dos livros infantis, que contêm mais figuras do que texto, e vai evoluindo para formar o leitor que sente inúmeras sensações durante a leitura, sofre e alegra-se com as situações vividas pelos personagens criados pelo autor. A leitura do livro impresso permite melhor comparar a realidade e a ficção. ou formação, seja na linha do entretenimento, do enriquecimento cultural, é um padrão comportamental cultural indissociável a todas as sociedades desenvolvidas. É um indicador de grau de desenvolvimento de um povo que, embora nem sempre se associe ao desenvolvimento econômico, indica sempre o grau de desenvolvimento cultural. O hábito da leitura, além de permitir um entretenimento sadio e ampliar os horizontes culturais dos leitores, tem reflexos sobre a escrita. Escreve bem, quem tem o hábito de ler. A leitura leva o indivíduo a um maior grau de informação, de autonomia, de reflexão. Evidente que a possibilidade das pessoas acessarem a internet e terem, à sua disposição, obras nacionais e estrangeiras de qualidade, é um poderoso aliado para a formação do hábito de leitura, para o enriquecimento cultural.
Como professora, sempre procurei colocar livros nas mãos de meus alunos, ensinando-os a ter prazer em folheá-los, a sentir o "cheiro" da tinta da impressora da gráfica que os editou, a levá-los a compreender o que leram, a reproduzir com suas palavras o que os autores escreveram. Sem falar nos livros didáticos e outros materiais impressos que foram, sempre, muito utilizados, em minhas salas de aula. Penso que, se hoje, ainda estivesse numa sala de aula, utilizaria, sim, tecnologias que pudessem enriquecer minhas aulas; que auxiliassem os alunos em suas pesquisas, sobretudo, aprender a buscar as informações, saber selecioná-las, pois a soma das informações dadas pelo professor com a riqueza das informações liberadas pelas multimídias só valorizaria a aprendizagem. Entretanto, quanto à leitura de entretenimento, continuaria utilizando os livros impressos. Quantas coisas passam em nossos pensamentos, diante das folhas amarelecidas de um livro lido na adolescência, relido na juventude, na maturidade ou na velhice. Ao abordar o tema da utilização das tecnologias no processo educacional, gostaria de focalizar um outro aspecto.
Equipar todas as escolas de um sistema de ensino com computadores ligados à internet, por si só, não melhorará a qualidade de ensino, se os professores não os souberem utilizar em toda a sua potencialidade e se não melhorarem seu próprio domínio dos conteúdos que deverão trabalhar com seus alunos; se não souberem enriquecer suas aulas com a riqueza das informações disponibilizadas pelas várias mídias. Do mesmo modo, ao utilizar as tecnologias, sobretudo a TV ou vídeos para programas de educação continuada dos professores em exercício, é importante ter em mente: a) o número de programas necessários para alcançar o objetivo, pois uma capacitação com poucos programas não mudará o grau de conhecimento nem a prática docente dos professores; b) sempre que possível, os programas deverão prever a interatividade, para que as dúvidas sejam esclarecidas e as respostas dadas pelos especialistas presentes no estúdio, se os programas forem ao vivo, atinjam não só quem questionou, mas cheguem como luz e apoio, a toda a clientela que está participando da capacitação. Daí a importância da recepção organizada, que permite a utilização de material impresso para apoiar os programas televisivos, ao vivo, ou pelos vídeos e que crescerá de importância se contar com a presença de um orientador de aprendizagem para ser o mediador dos multimeios utilizados.
Além disso, a recepção organizada permite a avaliação dos programas oferecidos e as melhorias provocadas por eles, na formação dos professores. Só assim poderemos fazer uma avaliação de mérito (qualidade e adequação dos programas) e de impacto (resultados). Ter tecnologias à disposição das escolas é muito importante, pois isto, além de fazer parte da "modernidade", enriquece a prática docente, aumenta as fontes de informação. Entretanto, o mais importante é saber utilizá-las a serviço de um melhor ensino e de uma eficiente aprendizagem. Quanto à leitura de livros de entretenimento, para ampliação da bagagem cultural, deixemos que nossos alunos tenham a oportunidade lúdica de folhear os livros, de ficarem mais próximos dos autores e personagens, incluindo-se nos cenários. E lembremos aos professores o quanto é importante, após a leitura, abrir um espaço para que os alunos discutam os livros que leram, emitam sua opinião. Esse intercâmbio das leituras realizadas pelos alunos e entre eles, é um desdobramento que a leitura permite e que amplia o universo cultural dos alunos, ensinando-os a criar textos, a escrever com criatividade, elegância e correção.
'Jovem enfrentará novo mercado no futuro'
Revista Veja
'Jovem enfrentará novo mercado no futuro'
Ao chegar ao mercado de trabalho, dentro de dez anos aproximadamente, os adolescentes que hoje estão nas escolas encontrarão um ambiente substancialmente diferente. A oferta de emprego deverá ser menor do que a atual, e será fundamental investir no empreendedorismo. A avaliação é de Luiz Carlos Cabrera, consultor de empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). "É hora de se preparar para o novo mercado de trabalho", alerta. "Será cada vez mais preciso administrar a própria vida". Na entrevista a seguir, ele explica como as escolas devem orientar seus alunos para a futura vida profissional e qual o papel da família nesse processo.
'Jovem enfrentará novo mercado no futuro'
Ao chegar ao mercado de trabalho, dentro de dez anos aproximadamente, os adolescentes que hoje estão nas escolas encontrarão um ambiente substancialmente diferente. A oferta de emprego deverá ser menor do que a atual, e será fundamental investir no empreendedorismo. A avaliação é de Luiz Carlos Cabrera, consultor de empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). "É hora de se preparar para o novo mercado de trabalho", alerta. "Será cada vez mais preciso administrar a própria vida". Na entrevista a seguir, ele explica como as escolas devem orientar seus alunos para a futura vida profissional e qual o papel da família nesse processo.
Empresas: jovens chegam despreparados
Revista Veja
Empresas: jovens chegam despreparados
Pais, educadores e escolas concordam: é preciso, em alguma medida, preparar os estudantes de hoje para o mercado profissional de amanhã. Mas, afinal, qual a visão do mercado sobre essa questão? De acordo com Eliane Figueiredo, diretora-presidente da Projeto RH, consultoria especializada em recrutamento e seleção de pessoal para empresas, a missão é urgente. "Infelizmente, os jovens de hoje não chegam preparados para o mercado de trabalho", avalia. Ela aponta algumas das falhas mais comuns constatadas entre os novatos no momento em que eles se candidatam ao emprego. Na visão dela, faltam capacidade de argumentação, senso crítico e habilidade de realizar tarefas em grupo, por exemplo.
"É importante desenvolver essas capacidades, mas geralmente as escolas não conseguem desempenhar essa função", afirma. Para suprir as deficiência, a dica da especialista é manter-se constantemente atualizado, participar de atividades extracurriculares e cultivar a porção empreendedora que há em cada um. Eliane acredita que o profissional do futuro será capaz de identificar as peculiaridades de cada contexto e, rapidamente, buscar alternativas ou soluções compatíveis a cada uma das situações. "As habilidades necessárias serão aquelas voltadas ao relacionamento, como liderança, comunicação, trabalho em equipe, resolução de conflitos, gerenciamento de emoções e construção de parcerias".
Empresas: jovens chegam despreparados
Pais, educadores e escolas concordam: é preciso, em alguma medida, preparar os estudantes de hoje para o mercado profissional de amanhã. Mas, afinal, qual a visão do mercado sobre essa questão? De acordo com Eliane Figueiredo, diretora-presidente da Projeto RH, consultoria especializada em recrutamento e seleção de pessoal para empresas, a missão é urgente. "Infelizmente, os jovens de hoje não chegam preparados para o mercado de trabalho", avalia. Ela aponta algumas das falhas mais comuns constatadas entre os novatos no momento em que eles se candidatam ao emprego. Na visão dela, faltam capacidade de argumentação, senso crítico e habilidade de realizar tarefas em grupo, por exemplo.
"É importante desenvolver essas capacidades, mas geralmente as escolas não conseguem desempenhar essa função", afirma. Para suprir as deficiência, a dica da especialista é manter-se constantemente atualizado, participar de atividades extracurriculares e cultivar a porção empreendedora que há em cada um. Eliane acredita que o profissional do futuro será capaz de identificar as peculiaridades de cada contexto e, rapidamente, buscar alternativas ou soluções compatíveis a cada uma das situações. "As habilidades necessárias serão aquelas voltadas ao relacionamento, como liderança, comunicação, trabalho em equipe, resolução de conflitos, gerenciamento de emoções e construção de parcerias".
Escolas apostam na orientação vocacional de alunos
Revista Veja
Escolas apostam na orientação vocacional de alunos
Diante da demanda de pais e do próprio mercado de trabalho, escolas desenvolvem ações que pretendem preencher a lacuna existente em seus currículos acerca da formação profissional dos alunos. Um dos principais focos é demonstrar as tendências do mercado de trabalho aos estudantes. Esse é um dos objetivos do projeto de orientação vocacional do colégio Bandeirantes, de São Paulo. De acordo com Roberto Nasser, coordenador de orientação profissional da instituição, os 1.800 alunos do ensino médio participam de atividades em horários alternativos direcionadas à capacitação profissional. "Nesse momento, eles podem esclarecer dúvidas que giram em torno, no geral, de salário e possibilidade de emprego, além de assistirem a palestras com profissionais bem-sucedidos", diz Nasser.
Já no ensino fundamental, quando os estudantes estão com cerca de 11 anos, inicia-se um trabalho de desenvolvimento das competências pessoais. "Com trabalhos em grupo, procuramos refletir sobre a nova visão de liderança, baseada no coletivo e na ajuda do desenvolvimento dos colegas", explica Nasser. Atividades esportivas e aulas complementares, como teatro, filosofia e ciências, também contribuem para a formação mais flexível e ampla dos alunos.
No colégio Vera Cruz, outra instituição conceituada de São Paulo, a orientação vocacional também entra em cena a partir do ensino médio. Então, são realizados debates em sala de aula, para que os estudantes possam tirar dúvidas sobre as diversas carreiras. Em 2008, a escola iniciou um programa de empreendedorismo com o objetivo de ensinar os procedimentos necessários para montar uma pequena empresa. No Paraná - As atividades realizadas pelo colégio Bom Jesus, em Curitiba, visam o desenvolvimento do empreendedorismo e da autonomia dos estudantes desde cedo, quando eles completam 11 anos. De acordo com Pedro Gardim, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP) da instituição, a capacitação para o mercado de trabalho faz parte da proposta pedagógica do colégio desde a educação infantil. "Trabalhos em grupo e que estimulem a solidariedade e a responsabilidade social são os carros-chefe de nosso projetos".
A partir do sexto ano, uma disciplina denominada empreendedorismo torna-se obrigatória à grade curricular durante três anos. "Por meio do material desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o curso procura desenvolver as aptidões de cada aluno, estimulando o auto-conhecimento, a autonomia e as habilidades necessárias para formar um empreendedor de sucesso", afirma Gardim. Já no ensino médio, quando o estudante completa 15 anos, as atividades giram em torno de palestras com empresários bem-sucedidos e informações sobre carreiras e mercado de trabalho. "Nossos alunos ficam mais confiantes e conscientes para a tomada de decisões importantes, como na hora de escolher qual carreira vão seguir", finaliza Gardim.
Escolas apostam na orientação vocacional de alunos
Diante da demanda de pais e do próprio mercado de trabalho, escolas desenvolvem ações que pretendem preencher a lacuna existente em seus currículos acerca da formação profissional dos alunos. Um dos principais focos é demonstrar as tendências do mercado de trabalho aos estudantes. Esse é um dos objetivos do projeto de orientação vocacional do colégio Bandeirantes, de São Paulo. De acordo com Roberto Nasser, coordenador de orientação profissional da instituição, os 1.800 alunos do ensino médio participam de atividades em horários alternativos direcionadas à capacitação profissional. "Nesse momento, eles podem esclarecer dúvidas que giram em torno, no geral, de salário e possibilidade de emprego, além de assistirem a palestras com profissionais bem-sucedidos", diz Nasser.
Já no ensino fundamental, quando os estudantes estão com cerca de 11 anos, inicia-se um trabalho de desenvolvimento das competências pessoais. "Com trabalhos em grupo, procuramos refletir sobre a nova visão de liderança, baseada no coletivo e na ajuda do desenvolvimento dos colegas", explica Nasser. Atividades esportivas e aulas complementares, como teatro, filosofia e ciências, também contribuem para a formação mais flexível e ampla dos alunos.
No colégio Vera Cruz, outra instituição conceituada de São Paulo, a orientação vocacional também entra em cena a partir do ensino médio. Então, são realizados debates em sala de aula, para que os estudantes possam tirar dúvidas sobre as diversas carreiras. Em 2008, a escola iniciou um programa de empreendedorismo com o objetivo de ensinar os procedimentos necessários para montar uma pequena empresa. No Paraná - As atividades realizadas pelo colégio Bom Jesus, em Curitiba, visam o desenvolvimento do empreendedorismo e da autonomia dos estudantes desde cedo, quando eles completam 11 anos. De acordo com Pedro Gardim, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP) da instituição, a capacitação para o mercado de trabalho faz parte da proposta pedagógica do colégio desde a educação infantil. "Trabalhos em grupo e que estimulem a solidariedade e a responsabilidade social são os carros-chefe de nosso projetos".
A partir do sexto ano, uma disciplina denominada empreendedorismo torna-se obrigatória à grade curricular durante três anos. "Por meio do material desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o curso procura desenvolver as aptidões de cada aluno, estimulando o auto-conhecimento, a autonomia e as habilidades necessárias para formar um empreendedor de sucesso", afirma Gardim. Já no ensino médio, quando o estudante completa 15 anos, as atividades giram em torno de palestras com empresários bem-sucedidos e informações sobre carreiras e mercado de trabalho. "Nossos alunos ficam mais confiantes e conscientes para a tomada de decisões importantes, como na hora de escolher qual carreira vão seguir", finaliza Gardim.
Bom profissional se faz na escola
Revista Veja
Bom profissional se faz na escola
O empresário Yacoff Sarkovas teve uma preocupação em mente na hora de escolher a escola em que suas filhas iriam estudar. A instituição deveria transmitir o gosto pelo conhecimento e fomentar o posicionamento crítico diante da realidade. Mais um item: desenvolver nas três meninas habildades exigidas pelo mercado de trabalho. A preocupação do pai foi válida para Ana, de 25 anos, formada em comunicação e marketing, mas também serve para Laura, de 17, e até para Catarina, de apenas 11. Leia o depoimento de Sarkovas sobre a educação das filhas. Especialistas concordam que é papel do ensino fundamental e médio - e não apenas da universidade - cooperar de alguma forma no processo de formação dos futuros profissionais. Isso não implica ensinar jovens estudantes a mexer com planilhas de cálculos ou a empreender um novo negócio. Requer, sim, dar-lhes recursos para lidar com a realidade e a competição, por exemplo - que um dia virá. Então, a dúvida que permanece é: nossas escolas de fato cumprem essa tarefa? Carlos Alberto Ramos, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), aponta falhas nessa missão. Ele identifica um abismo na transição entre o sistema escolar e o mercado de trabalho. "Nosso modelo educacional é muito segmentado, e os conhecimentos de línguas e matemática, por exemplo, são muito diferentes dos valores compreendidos durante a vida profissional", defende.
O despreparo dos jovens, portanto, é patente. "Desde cedo, é preciso ensinar as crianças a pensar e a se adequar a novas realidades", diz Ramos. "Elas contam, inclusive, com uma vantagem para isso: são mais flexíveis a mudanças e estão sempre abertas a novas tecnologias". Infelizmente, conclui o especialista, não é isso o que acontece nas escolas. Letra da lei - O mais curioso é que, a despeito de qualquer discussão sobre o dever das escolas, ajudar no desenvolvimento do aluno com vistas ao mercado de trabalho é um fundamento no país, estabelecido pela lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, conjunto de normas que dá o norte ao sistema educacional brasileiro. Portanto, tal tarefa cabe a todos os níveis do ensino básico, dos cinco aos 17 anos.
Bertha do Valle, pedagoga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), é uma entusiasta do papel da escola na formação profissional. "A partir do domínio da leitura, quando a criança tem 6 ou 7 anos, a escola já pode promover atividades que englobem diferentes profissões, como pesquisas sobre o mercado de trabalho e carreiras, visitas orientadas a diversas instituições ou comércio". Ensino que funciona - Para Claudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA, as escolas de ensino infantil e fundamental oferecem aos estudantes, geralmente, a proposta correta para a capacitação para a vida profissional. Isso significa: ensinar a ler, escrever e falar adequadamente já durante a alfabetização infantil. "Em grande medida, uma escola prática é aquela que consegue ensinar o estudante a fazer bom uso de números e palavras, sem se basear apenas na decoreba", diz.
O problema, segundo o especialista, aparece no ensino médio. "Nesse nível, as escolas são desmotivadoras, oferecendo conteúdos específicos para que os alunos estejam preparados para o vestibular", afirma. "Mas, na verdade, não preparam o estudante para nada". Moura Castro aponta três habilidades fundamentais aos profissionais de hoje e do futuro. Elas são decorrentes da boa leitura, da boa escrita e da capacidade de comunicar-se bem. "Todos os profissionais precisam saber resolver problemas, falar em público e trabalhar em equipe", sentencia. "É nesse momento de aprendizado que dissolve-se a fronteira entre o que é acadêmico - ensinado na escola - e o que é profissional e prático para o mercado de trabalho".
Bom profissional se faz na escola
O empresário Yacoff Sarkovas teve uma preocupação em mente na hora de escolher a escola em que suas filhas iriam estudar. A instituição deveria transmitir o gosto pelo conhecimento e fomentar o posicionamento crítico diante da realidade. Mais um item: desenvolver nas três meninas habildades exigidas pelo mercado de trabalho. A preocupação do pai foi válida para Ana, de 25 anos, formada em comunicação e marketing, mas também serve para Laura, de 17, e até para Catarina, de apenas 11. Leia o depoimento de Sarkovas sobre a educação das filhas. Especialistas concordam que é papel do ensino fundamental e médio - e não apenas da universidade - cooperar de alguma forma no processo de formação dos futuros profissionais. Isso não implica ensinar jovens estudantes a mexer com planilhas de cálculos ou a empreender um novo negócio. Requer, sim, dar-lhes recursos para lidar com a realidade e a competição, por exemplo - que um dia virá. Então, a dúvida que permanece é: nossas escolas de fato cumprem essa tarefa? Carlos Alberto Ramos, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), aponta falhas nessa missão. Ele identifica um abismo na transição entre o sistema escolar e o mercado de trabalho. "Nosso modelo educacional é muito segmentado, e os conhecimentos de línguas e matemática, por exemplo, são muito diferentes dos valores compreendidos durante a vida profissional", defende.
O despreparo dos jovens, portanto, é patente. "Desde cedo, é preciso ensinar as crianças a pensar e a se adequar a novas realidades", diz Ramos. "Elas contam, inclusive, com uma vantagem para isso: são mais flexíveis a mudanças e estão sempre abertas a novas tecnologias". Infelizmente, conclui o especialista, não é isso o que acontece nas escolas. Letra da lei - O mais curioso é que, a despeito de qualquer discussão sobre o dever das escolas, ajudar no desenvolvimento do aluno com vistas ao mercado de trabalho é um fundamento no país, estabelecido pela lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, conjunto de normas que dá o norte ao sistema educacional brasileiro. Portanto, tal tarefa cabe a todos os níveis do ensino básico, dos cinco aos 17 anos.
Bertha do Valle, pedagoga da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), é uma entusiasta do papel da escola na formação profissional. "A partir do domínio da leitura, quando a criança tem 6 ou 7 anos, a escola já pode promover atividades que englobem diferentes profissões, como pesquisas sobre o mercado de trabalho e carreiras, visitas orientadas a diversas instituições ou comércio". Ensino que funciona - Para Claudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA, as escolas de ensino infantil e fundamental oferecem aos estudantes, geralmente, a proposta correta para a capacitação para a vida profissional. Isso significa: ensinar a ler, escrever e falar adequadamente já durante a alfabetização infantil. "Em grande medida, uma escola prática é aquela que consegue ensinar o estudante a fazer bom uso de números e palavras, sem se basear apenas na decoreba", diz.
O problema, segundo o especialista, aparece no ensino médio. "Nesse nível, as escolas são desmotivadoras, oferecendo conteúdos específicos para que os alunos estejam preparados para o vestibular", afirma. "Mas, na verdade, não preparam o estudante para nada". Moura Castro aponta três habilidades fundamentais aos profissionais de hoje e do futuro. Elas são decorrentes da boa leitura, da boa escrita e da capacidade de comunicar-se bem. "Todos os profissionais precisam saber resolver problemas, falar em público e trabalhar em equipe", sentencia. "É nesse momento de aprendizado que dissolve-se a fronteira entre o que é acadêmico - ensinado na escola - e o que é profissional e prático para o mercado de trabalho".
32% dos jovens cogitam, mas só 2% tentam ingressar na carreira docente
Portal Aprendiz, 25/02/2010
32% dos jovens cogitam, mas só 2% tentam ingressar na carreira docente
Enquanto 32% dos alunos do ensino médio consideraram seguir a carreira de professor, apenas 2% efetivamente vão prestar o vestibular para pedagogia ou alguma licenciatura. Os dados são da pesquisa “Atratividade da Carreira Docente no Brasil”, apresentada pela Fundação Carlos Chagas nesta quinta-feira (25/2), em São Paulo (SP). O estudo revelou que a visão negativa não é resultado da falta de identificação profissional ou pessoal com a docência, mas sim das más condições de trabalho a que o professor é submetido. De acordo com os alunos, o docente desempenha papel fundamental, sendo modelo formador de opinião na sociedade. No entanto, acreditam que o profissional é desvalorizado pelos próprios alunos, sociedade e governo. A pesquisa entrevistou 1,5 mil alunos do 3º ano do ensino médio de 18 escolas públicas e privadas do país.
A pesquisadora da fundação e supervisora do estudo, Bernadete Gatti, disse que existe uma contradição entre o que os jovens pensam do “ser profissional” e o trabalho real do docente. “Para eles, ser professor é uma profissão bonita, mas o trabalho é encarado com limitações e dificuldades. Os alunos acham que para ser professor é preciso gostar muito do que faz, porque é algo pesado e frustrante”, revelou ela. Os alunos do ensino médio acreditam ainda que é preciso ter muita paciência para seguir a carreira. O estudo, encomendado pela fundação Victor Civita, apontou também as principais causas da desistência. Responsável por 40%, a baixa remuneração é um fator decisivo. A dificuldade que o professor é obrigado a passar no dia-a-dia também é outro fator relevante, 17% dos jovens lembram o desinteresse e desrespeito dos próprios alunos para com o professor em sala de aula.
Bernadete ressaltou a melhora nas políticas públicas para a educação como ponto central para melhorar o setor e, consequentemente, aumentar a atratividade da carreira. “Precisamos pensar em o que é valorizado neste modelo de educação atual, o que é oferecido ao profissional. É preciso estruturar planos de carreira que envolvam progressão e salários melhores. Assim, a docência será profissionalizante e atrativa. Reestruturar é um caminho longo, mas é preciso ter a visão clara de que esse profissional é o fundamento de uma nação”, concluiu a pesquisadora.
32% dos jovens cogitam, mas só 2% tentam ingressar na carreira docente
Enquanto 32% dos alunos do ensino médio consideraram seguir a carreira de professor, apenas 2% efetivamente vão prestar o vestibular para pedagogia ou alguma licenciatura. Os dados são da pesquisa “Atratividade da Carreira Docente no Brasil”, apresentada pela Fundação Carlos Chagas nesta quinta-feira (25/2), em São Paulo (SP). O estudo revelou que a visão negativa não é resultado da falta de identificação profissional ou pessoal com a docência, mas sim das más condições de trabalho a que o professor é submetido. De acordo com os alunos, o docente desempenha papel fundamental, sendo modelo formador de opinião na sociedade. No entanto, acreditam que o profissional é desvalorizado pelos próprios alunos, sociedade e governo. A pesquisa entrevistou 1,5 mil alunos do 3º ano do ensino médio de 18 escolas públicas e privadas do país.
A pesquisadora da fundação e supervisora do estudo, Bernadete Gatti, disse que existe uma contradição entre o que os jovens pensam do “ser profissional” e o trabalho real do docente. “Para eles, ser professor é uma profissão bonita, mas o trabalho é encarado com limitações e dificuldades. Os alunos acham que para ser professor é preciso gostar muito do que faz, porque é algo pesado e frustrante”, revelou ela. Os alunos do ensino médio acreditam ainda que é preciso ter muita paciência para seguir a carreira. O estudo, encomendado pela fundação Victor Civita, apontou também as principais causas da desistência. Responsável por 40%, a baixa remuneração é um fator decisivo. A dificuldade que o professor é obrigado a passar no dia-a-dia também é outro fator relevante, 17% dos jovens lembram o desinteresse e desrespeito dos próprios alunos para com o professor em sala de aula.
Bernadete ressaltou a melhora nas políticas públicas para a educação como ponto central para melhorar o setor e, consequentemente, aumentar a atratividade da carreira. “Precisamos pensar em o que é valorizado neste modelo de educação atual, o que é oferecido ao profissional. É preciso estruturar planos de carreira que envolvam progressão e salários melhores. Assim, a docência será profissionalizante e atrativa. Reestruturar é um caminho longo, mas é preciso ter a visão clara de que esse profissional é o fundamento de uma nação”, concluiu a pesquisadora.
Um retrato desanimador do ensino básico
Folha Dirigida, 25/02/2010 - Rio de Janeiro RJ
Um retrato desanimador do ensino básico
Em 1978, em uma prova de redação de vestibular cujo tema era o "lazer", mais de 80% dos candidatos escreveram sobre os benefícios do "raio laser", uma novidade tecnológica da época. Esse era um dos primeiros passos de uma jornada que, segundo especialistas, demonstra o tortuoso caminho trilhado pela educação básica do país. Nas duas últimas décadas, a divulgação das ditas "pérolas" do vestibular — os trechos mais inusitados das redações — se tornou prática freqüente, decorrido algum tempo da correção das provas. Mais do que irreverentes, estas frases demonstram falta de respeito à norma culta da Língua Portuguesa, dificuldades na organização das idéias e lacunas na cultura geral dos vestibulandos. A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem sido apontada como um "termômetro" para o nível da qualidade do ensino, uma vez que passou a ser considerada um passaporte para o ensino superior no país. Com seu novo modelo, se tornou, praticamente, um vestibular unificado para as instituições federais de ensino superior. Além disso, sua nota também é utilizada no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas em instituições privadas para alunos de baixa renda.
E, no Enem 2009, realizado em dezembro do ano passado, não foi diferente. O tema "Aquecimento Global" inspirou aqueles que pretendem ingressar no ensino superior ou que buscam a sua certificação do ensino médio a produzirem construções bastante peculiares, como "A amazônia é explorada de forma piedosa (sic)", "Espero que o desmatamento seja instinto (sic)" ou "A emoção (sic) de poluentes atmosféricos aquece a floresta". Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), padre Jesus Hortal argumenta que há muitos anos essa realidade se repete. O religioso revela que, em sua instituição, por exemplo, muitos candidatos são eliminados no vestibular porque não conseguem atender às regras mínimas exigidas na redação. "Muitos jovens não sabem redigir. Não são apenas erros de ortografia, falta concordância, as frases são truncadas e ficam sem sentido. Percebemos um conhecimento muito deficiente da Língua Portuguesa e também problemas na capacidade de raciocínio lógico dos concluintes do ensino médio", explica o reitor da PUC-Rio.
Na avaliação de padre Jesus Hortal, as "pérolas" indicam que os jovens não desenvolveram o hábito da leitura. "Talvez as condições atuais nos levem a dedicar menos tempo à leitura. O conhecimento da internet é superficial. Dificilmente alguém lê uma obra literária ou uma obra de cunho filosófico completa na internet", argumenta o educador. Para o reitor da PUC-Rio, a conseqüência desse processo é que muitos jovens ingressam no ensino superior sem condições de assimilar os conteúdos científicos. "Muitos jovens se tornam incapazes de assimilar conteúdos científicos que estão sempre em uma linguagem lógica rigorosa. Geralmente, esses estudantes ingressam em instituições de ensino superior de baixa qualidade. Em algumas delas, basta que os alunos freqüentem as aulas para receberem o diploma. E o que temos? Jovens mal formados que não conseguem boas colocações no mercado de trabalho. E boa parte destes universitários com formação deficiente ingressa nos cursos de Licenciatura, tornando-se professores", alerta padre Jesus Hortal. Professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Bertha do Valle também se preocupa com o futuro do magistério. De acordo com a educadora, é bem provável que algumas das "pérolas" do Enem 2009 tenham sido produzidas por futuros professores. Isto porque os cursos de Licenciatura foram procurados justamente por aqueles estudantes que obtiveram as notas mais baixas no Enem.
"Os resultados do Enem 2009 mostraram que os cursos de Licenciatura foram procurados por estudantes que tiraram as piores notas. Provavelmente, os autores dessas "pérolas" serão os professores do futuro. Eles escreverão errado no quadro e não terão condições de oferecer um ensino de qualidade a seus alunos", acrescenta a educadora. Bertha do Valle acredita que, apesar da universalização do acesso ao ensino, a educação básica não está cumprindo a sua função. "Esse tipo de redação indica que os concluintes do ensino médio não adquiriram as competências mínimas de leitura, de correção ortográfica. Um aluno não poderia chegar ao 6º ano do ensino fundamental cometendo os erros que os candidatos cometem ao final do ensino médio. Esses resultados são um diagnóstico da educação básica em nosso país", explica a docente. De acordo com ela, a falta de qualidade afeta tanto escolas públicas quanto instituições particulares. As raízes do problema vão desde a formação dos professores ao relacionamento entre a família e escola.
"Hoje, a escola atende a todos. Contudo, há problemas de qualidade tanto em escolas públicas quanto em particulares. Família e escola não se completam. Além disso, cobramos a mesma quantidade de conteúdos cobrados por outros países aonde os alunos ficam seis, oito horas, em horário integral na escola. Além disso, muitas vezes, faltam professores em várias disciplinas nas escolas públicas. E isso vira uma bola de neve que cresce até o final do ensino médio", observa a educadora. Nesse sentido, a professora cobra investimentos mais profundos na educação. "É preciso investir nas séries iniciais do ensino fundamental e dar melhores salários e condições de trabalho para o magistério. Caso contrário, teremos, cada vez mais, profissionais desqualificados nessa profissão. Esta é uma situação que se apresentou nos anos 70 e 80 e piora com o passar dos anos. E só conseguiremos reverter esse quadro a longo prazo. Mas precisamos começar já", assinala Bertha do Valle. Já o professor de Língua Portuguesa, Márcio Coelho, acostumado a corrigir redações de vestibulares e concursos, acredita que as "pérolas" têm origem em candidatos de regiões mais interioranas do país, que se distanciam consideravelmente do nível de atendimento e de qualidade dos grandes centros urbanos.
Com o caráter nacional da avaliação e as implicações do novo modelo, assinala o professor, as diferenças regionais se destacam. Na redação do Enem 2009, a média geral foi de 601,5 pontos, na escala até 1.000. Segundo o MEC, em relação ao ano anterior, houve ligeira melhora na nota: de 593,5 pontos, em 2008, para 601,5. "Na verdade, esses tipos de construções não são próprias de alunos que se preparam para o vestibular ou para o Enem. Elas devem ter sido feitas por pessoas que estão há muito tempo longe dos bancos escolares ou que vêm de áreas mais interioranas do país, aonde sabemos que o atendimento não acompanha o nível dos grandes centros", observa o docente, que leciona no Colégio Princesa Isabel, na Academia do Concurso e na Escola Naval.
Contudo, Márcio Coelho reconhece que boa parte dos jovens realmente têm preguiça de escrever e, em alguns casos, escrevem a primeira coisa que lhes passa pela cabeça. "Num colégio em que trabalhei, recebi uma redação de um aluno com um palavrão. Estava entre aspas, mas era um palavrão. E o aluno achou aquilo muito natural, pois para os jovens de hoje em dia, isso é natural. Situações como esta tornam as coisas complicadas. Já pude corrigir redações de vestibulares da UFF, da UFRJ e da Cesgranrio e vi coisas terríveis", revela o docente. Márcio aprova o tema da redação do Enem e recomenda que os estudantes escrevam, pelo menos, uma redação por semana. "O tema 'Aquecimento Global' é tratado nas aulas de Geografia, de Física e de Química, só para citar algumas. Os estudantes têm muita informação sobre o assunto. O que é preciso é a prática. Se os jovens escrevessem, pelo menos, uma redação por semana, seria ótimo. Contudo, é importante que o professor leia a redação junto com o estudante e lhe explique como foi feita a correção. Devemos desenvolver o espírito crítico dos jovens diante de seu próprio texto", conclui o professor.
Um retrato desanimador do ensino básico
Em 1978, em uma prova de redação de vestibular cujo tema era o "lazer", mais de 80% dos candidatos escreveram sobre os benefícios do "raio laser", uma novidade tecnológica da época. Esse era um dos primeiros passos de uma jornada que, segundo especialistas, demonstra o tortuoso caminho trilhado pela educação básica do país. Nas duas últimas décadas, a divulgação das ditas "pérolas" do vestibular — os trechos mais inusitados das redações — se tornou prática freqüente, decorrido algum tempo da correção das provas. Mais do que irreverentes, estas frases demonstram falta de respeito à norma culta da Língua Portuguesa, dificuldades na organização das idéias e lacunas na cultura geral dos vestibulandos. A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem sido apontada como um "termômetro" para o nível da qualidade do ensino, uma vez que passou a ser considerada um passaporte para o ensino superior no país. Com seu novo modelo, se tornou, praticamente, um vestibular unificado para as instituições federais de ensino superior. Além disso, sua nota também é utilizada no Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas em instituições privadas para alunos de baixa renda.
E, no Enem 2009, realizado em dezembro do ano passado, não foi diferente. O tema "Aquecimento Global" inspirou aqueles que pretendem ingressar no ensino superior ou que buscam a sua certificação do ensino médio a produzirem construções bastante peculiares, como "A amazônia é explorada de forma piedosa (sic)", "Espero que o desmatamento seja instinto (sic)" ou "A emoção (sic) de poluentes atmosféricos aquece a floresta". Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), padre Jesus Hortal argumenta que há muitos anos essa realidade se repete. O religioso revela que, em sua instituição, por exemplo, muitos candidatos são eliminados no vestibular porque não conseguem atender às regras mínimas exigidas na redação. "Muitos jovens não sabem redigir. Não são apenas erros de ortografia, falta concordância, as frases são truncadas e ficam sem sentido. Percebemos um conhecimento muito deficiente da Língua Portuguesa e também problemas na capacidade de raciocínio lógico dos concluintes do ensino médio", explica o reitor da PUC-Rio.
Na avaliação de padre Jesus Hortal, as "pérolas" indicam que os jovens não desenvolveram o hábito da leitura. "Talvez as condições atuais nos levem a dedicar menos tempo à leitura. O conhecimento da internet é superficial. Dificilmente alguém lê uma obra literária ou uma obra de cunho filosófico completa na internet", argumenta o educador. Para o reitor da PUC-Rio, a conseqüência desse processo é que muitos jovens ingressam no ensino superior sem condições de assimilar os conteúdos científicos. "Muitos jovens se tornam incapazes de assimilar conteúdos científicos que estão sempre em uma linguagem lógica rigorosa. Geralmente, esses estudantes ingressam em instituições de ensino superior de baixa qualidade. Em algumas delas, basta que os alunos freqüentem as aulas para receberem o diploma. E o que temos? Jovens mal formados que não conseguem boas colocações no mercado de trabalho. E boa parte destes universitários com formação deficiente ingressa nos cursos de Licenciatura, tornando-se professores", alerta padre Jesus Hortal. Professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Bertha do Valle também se preocupa com o futuro do magistério. De acordo com a educadora, é bem provável que algumas das "pérolas" do Enem 2009 tenham sido produzidas por futuros professores. Isto porque os cursos de Licenciatura foram procurados justamente por aqueles estudantes que obtiveram as notas mais baixas no Enem.
"Os resultados do Enem 2009 mostraram que os cursos de Licenciatura foram procurados por estudantes que tiraram as piores notas. Provavelmente, os autores dessas "pérolas" serão os professores do futuro. Eles escreverão errado no quadro e não terão condições de oferecer um ensino de qualidade a seus alunos", acrescenta a educadora. Bertha do Valle acredita que, apesar da universalização do acesso ao ensino, a educação básica não está cumprindo a sua função. "Esse tipo de redação indica que os concluintes do ensino médio não adquiriram as competências mínimas de leitura, de correção ortográfica. Um aluno não poderia chegar ao 6º ano do ensino fundamental cometendo os erros que os candidatos cometem ao final do ensino médio. Esses resultados são um diagnóstico da educação básica em nosso país", explica a docente. De acordo com ela, a falta de qualidade afeta tanto escolas públicas quanto instituições particulares. As raízes do problema vão desde a formação dos professores ao relacionamento entre a família e escola.
"Hoje, a escola atende a todos. Contudo, há problemas de qualidade tanto em escolas públicas quanto em particulares. Família e escola não se completam. Além disso, cobramos a mesma quantidade de conteúdos cobrados por outros países aonde os alunos ficam seis, oito horas, em horário integral na escola. Além disso, muitas vezes, faltam professores em várias disciplinas nas escolas públicas. E isso vira uma bola de neve que cresce até o final do ensino médio", observa a educadora. Nesse sentido, a professora cobra investimentos mais profundos na educação. "É preciso investir nas séries iniciais do ensino fundamental e dar melhores salários e condições de trabalho para o magistério. Caso contrário, teremos, cada vez mais, profissionais desqualificados nessa profissão. Esta é uma situação que se apresentou nos anos 70 e 80 e piora com o passar dos anos. E só conseguiremos reverter esse quadro a longo prazo. Mas precisamos começar já", assinala Bertha do Valle. Já o professor de Língua Portuguesa, Márcio Coelho, acostumado a corrigir redações de vestibulares e concursos, acredita que as "pérolas" têm origem em candidatos de regiões mais interioranas do país, que se distanciam consideravelmente do nível de atendimento e de qualidade dos grandes centros urbanos.
Com o caráter nacional da avaliação e as implicações do novo modelo, assinala o professor, as diferenças regionais se destacam. Na redação do Enem 2009, a média geral foi de 601,5 pontos, na escala até 1.000. Segundo o MEC, em relação ao ano anterior, houve ligeira melhora na nota: de 593,5 pontos, em 2008, para 601,5. "Na verdade, esses tipos de construções não são próprias de alunos que se preparam para o vestibular ou para o Enem. Elas devem ter sido feitas por pessoas que estão há muito tempo longe dos bancos escolares ou que vêm de áreas mais interioranas do país, aonde sabemos que o atendimento não acompanha o nível dos grandes centros", observa o docente, que leciona no Colégio Princesa Isabel, na Academia do Concurso e na Escola Naval.
Contudo, Márcio Coelho reconhece que boa parte dos jovens realmente têm preguiça de escrever e, em alguns casos, escrevem a primeira coisa que lhes passa pela cabeça. "Num colégio em que trabalhei, recebi uma redação de um aluno com um palavrão. Estava entre aspas, mas era um palavrão. E o aluno achou aquilo muito natural, pois para os jovens de hoje em dia, isso é natural. Situações como esta tornam as coisas complicadas. Já pude corrigir redações de vestibulares da UFF, da UFRJ e da Cesgranrio e vi coisas terríveis", revela o docente. Márcio aprova o tema da redação do Enem e recomenda que os estudantes escrevam, pelo menos, uma redação por semana. "O tema 'Aquecimento Global' é tratado nas aulas de Geografia, de Física e de Química, só para citar algumas. Os estudantes têm muita informação sobre o assunto. O que é preciso é a prática. Se os jovens escrevessem, pelo menos, uma redação por semana, seria ótimo. Contudo, é importante que o professor leia a redação junto com o estudante e lhe explique como foi feita a correção. Devemos desenvolver o espírito crítico dos jovens diante de seu próprio texto", conclui o professor.
MEC: municípios só receberão livros didáticos com contrapartida
olha Dirigida, 25/02/2010 - Rio de Janeiro RJ
MEC: municípios só receberão livros didáticos com contrapartida
O Ministério da Educação (MEC) anunciou que as secretarias estaduais e municipais de Educação só receberão as obras didáticas para estudantes da rede pública, a partir de 2012, se assinarem o termo de adesão ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). De acordo com a pasta, o documento já está sendo enviado via Correios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para ter validade, deverá ser devolvido e assinado pelos gestores até o dia 31 de maio. "A obrigatoriedade da adesão muda as regras de distribuição dos livros didáticos às escolas. Até agora, todas recebiam o material, exceto as que se manifestassem em contrário", explica a coordenadora geral dos programas do livro, Sonia Schwartz. A coordenadora informou que havia municípios que recebiam gratuitamente os livros do governo federal e não os utilizavam. O PNLD é o projeto que seleciona, compra e distribui gratuitamente as obras didáticas para estudantes da educação básica da rede pública. O programa entregou cerca de 114,8 milhões de livros de diversas matérias, como Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências, Química, Física e Biologia, para serem usados durante o ano de 2010.
Novas disciplinas serão incluídas nesta distribuição de exemplares. No fim deste ano, o FNDE também selecionará livros de Inglês e Espanhol para serem utilizados pelos alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental a partir de 2011. Para os estudantes do nível médio, serão distribuídos exemplares de Língua Estrangeira, Sociologia e Filosofia, para uso em 2012. Recentemente, a presidente da União dos Professores Públicos do Estado (Uppe), Teresinha Machado, criticou a política do governo de solicitar aos alunos atendidos pelo PNLD que conservem os seus livros para que eles possam ser aproveitados por outros alunos futuramente. Segundo a professora, psicólogos chegaram à conclusão que não possuir o livro em definitivo pode afetar a relação afetiva do aluno com o livro. O MEC, porém, preferiu não comentar as críticas da educadora.
MEC: municípios só receberão livros didáticos com contrapartida
O Ministério da Educação (MEC) anunciou que as secretarias estaduais e municipais de Educação só receberão as obras didáticas para estudantes da rede pública, a partir de 2012, se assinarem o termo de adesão ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). De acordo com a pasta, o documento já está sendo enviado via Correios pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para ter validade, deverá ser devolvido e assinado pelos gestores até o dia 31 de maio. "A obrigatoriedade da adesão muda as regras de distribuição dos livros didáticos às escolas. Até agora, todas recebiam o material, exceto as que se manifestassem em contrário", explica a coordenadora geral dos programas do livro, Sonia Schwartz. A coordenadora informou que havia municípios que recebiam gratuitamente os livros do governo federal e não os utilizavam. O PNLD é o projeto que seleciona, compra e distribui gratuitamente as obras didáticas para estudantes da educação básica da rede pública. O programa entregou cerca de 114,8 milhões de livros de diversas matérias, como Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências, Química, Física e Biologia, para serem usados durante o ano de 2010.
Novas disciplinas serão incluídas nesta distribuição de exemplares. No fim deste ano, o FNDE também selecionará livros de Inglês e Espanhol para serem utilizados pelos alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental a partir de 2011. Para os estudantes do nível médio, serão distribuídos exemplares de Língua Estrangeira, Sociologia e Filosofia, para uso em 2012. Recentemente, a presidente da União dos Professores Públicos do Estado (Uppe), Teresinha Machado, criticou a política do governo de solicitar aos alunos atendidos pelo PNLD que conservem os seus livros para que eles possam ser aproveitados por outros alunos futuramente. Segundo a professora, psicólogos chegaram à conclusão que não possuir o livro em definitivo pode afetar a relação afetiva do aluno com o livro. O MEC, porém, preferiu não comentar as críticas da educadora.
Mudança será concluída neste ano, dizem pastas DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de São Paulo, 26/02/2010 - São Paulo SP
Mudança será concluída neste ano, dizem pastas
DA REPORTAGEM LOCAL
As secretarias estadual e municipal da Educação dizem que o processo de implementação do novo ensino fundamental já começou, mas não foi concluído. Em nota, o governo estadual afirma que "a implantação do ensino fundamental de nove anos iniciou-se na rede em 2009 e deve se completar em 2010". Diz ainda que já há proposta pedagógica. "Houve um texto preliminar que foi discutido e entregue aos professores coordenadores das oficinas pedagógicas das diretorias de ensino e supervisores de ensino responsáveis, em 2008. No documento consta, entre outras orientações, os novos conteúdos e expectativas de aprendizagem para o novo primeiro ano". O Estado diz ainda que o programa Ler e Escrever, já implementado na rede, contempla todo o processo de alfabetização. Não respondeu, porém, sobre formação específica para os docentes do novo primeiro ano.
A rede municipal, também por nota, afirma que todas as escolas terão o mobiliário adaptado. Diz que aumentou os repasses diretos para as escolas, o que pode ser gasto em montagem de parques ou brinquedotecas. Pedagogicamente, diz, já organizou novas orientações curriculares. Os estudantes receberão cadernos de apoio e vídeos educativos, como o "Cocoricó". "Adicionalmente, está prevista a formação para cerca de 2.000 coordenadores pedagógicos e diretores da rede", afirma a nota. (FT)
Mudança será concluída neste ano, dizem pastas
DA REPORTAGEM LOCAL
As secretarias estadual e municipal da Educação dizem que o processo de implementação do novo ensino fundamental já começou, mas não foi concluído. Em nota, o governo estadual afirma que "a implantação do ensino fundamental de nove anos iniciou-se na rede em 2009 e deve se completar em 2010". Diz ainda que já há proposta pedagógica. "Houve um texto preliminar que foi discutido e entregue aos professores coordenadores das oficinas pedagógicas das diretorias de ensino e supervisores de ensino responsáveis, em 2008. No documento consta, entre outras orientações, os novos conteúdos e expectativas de aprendizagem para o novo primeiro ano". O Estado diz ainda que o programa Ler e Escrever, já implementado na rede, contempla todo o processo de alfabetização. Não respondeu, porém, sobre formação específica para os docentes do novo primeiro ano.
A rede municipal, também por nota, afirma que todas as escolas terão o mobiliário adaptado. Diz que aumentou os repasses diretos para as escolas, o que pode ser gasto em montagem de parques ou brinquedotecas. Pedagogicamente, diz, já organizou novas orientações curriculares. Os estudantes receberão cadernos de apoio e vídeos educativos, como o "Cocoricó". "Adicionalmente, está prevista a formação para cerca de 2.000 coordenadores pedagógicos e diretores da rede", afirma a nota. (FT)
Escolas não se adaptam a aluno de 6 anos
Folha de São Paulo, 26/02/2010 - São Paulo SP
Escolas não se adaptam a aluno de 6 anos
No primeiro ano do ensino fundamental, colégios estaduais e municipais não têm estrutura ou projeto pedagógico adequado. Proposta era mesclar o início da alfabetização com atividades lúdicas, mas professores não foram preparados para isso
Sentada em uma carteira de adulto, Isabela, 6, não consegue colocar o pé no chão. Suas sandalinhas balançam dois palmos acima do solo. Também com os pés no ar, colegas de sala dela sentam com a mochila nas costas, para ficarem próximas à mesa. Outras estão em pé, para alcançar lápis e papel. "Elas são pequenas para ficar cinco horas aqui. Estão sempre inquietas, incomodadas. Depois do lanche, coçam o olho de sono. Umas dormem apoiadas na mesa", observa Maria, professora da turma. A cena, passada em uma escola municipal em Cidade Dutra (zona sul), exemplifica a má notícia da volta às aulas na rede pública de São Paulo, segundo docentes: não houve preparação para receber crianças de seis anos nas escolas de ensino fundamental, norma implementada neste ano na cidade. Até o ano passado, o antigo primário recebia alunos a partir dos sete. Lei federal determinou a antecipação da entrada para que os estudantes pobres tivessem mais um ano de escolarização (crianças na faixa do fundamental devem, obrigatoriamente, estar na escola). A ideia era que houvesse adaptação para receber as crianças mais novas, com carteiras adequadas, espaços como brinquedotecas e a criação de projeto pedagógico que mesclasse o início da alfabetização com atividades lúdicas.
Nada disso ocorreu na rede pública de São Paulo, segundo professores e diretores ouvidos pela Folha, presidentes das entidades que representam diretores dos colégios, educadores e um membro do Conselho Nacional de Educação. A lei, de 2005, havia dado cinco anos para implementação. Tanto o governo José Serra (PSDB) quanto a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) dizem que a adaptação do novo fundamental já começou, mas admitem que não foi finalizada. "As crianças reclamam que não têm parquinho, que têm de ficar cinco horas na sala de aula. As carteiras que atendem aos alunos da EJA [antigo supletivo] são as mesmas das dos de seis anos", diz João Alberto Rodrigues de Souza, do Sinesp (sindicato dos dirigentes da rede municipal). "Não houve capacitação dos professores. É para alfabetizar? É para focar na parte lúdica? Ninguém sabe", diz o presidente da Udemo (sindicato dos dirigentes da rede estadual), Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto. Professor de escola estadual na zona sul, Batista conta que precisa levantar as crianças no colo para elas alcançarem os bebedouros. Elas também têm dificuldades para usar o banheiro.
"Verificamos a falta de adaptação em São Paulo e em boa parte do país", diz o presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Cesar Callegari. "Muitas redes apenas transferiram a antiga primeira série [alunos de sete anos] para o primeiro ano". A gestão Kassab diz que a adequação do mobiliário iniciou em 2007, não foi concluída, mas todas escolas serão atendidas. Já o governo estadual afirma que "à medida das diferentes demandas da diretorias de ensino serão encaminhados equipamentos para as escolas". A prefeitura possui 55,5 mil alunos no novo primeiro ano. O Estado não informou o dado.
Escolas não se adaptam a aluno de 6 anos
No primeiro ano do ensino fundamental, colégios estaduais e municipais não têm estrutura ou projeto pedagógico adequado. Proposta era mesclar o início da alfabetização com atividades lúdicas, mas professores não foram preparados para isso
Sentada em uma carteira de adulto, Isabela, 6, não consegue colocar o pé no chão. Suas sandalinhas balançam dois palmos acima do solo. Também com os pés no ar, colegas de sala dela sentam com a mochila nas costas, para ficarem próximas à mesa. Outras estão em pé, para alcançar lápis e papel. "Elas são pequenas para ficar cinco horas aqui. Estão sempre inquietas, incomodadas. Depois do lanche, coçam o olho de sono. Umas dormem apoiadas na mesa", observa Maria, professora da turma. A cena, passada em uma escola municipal em Cidade Dutra (zona sul), exemplifica a má notícia da volta às aulas na rede pública de São Paulo, segundo docentes: não houve preparação para receber crianças de seis anos nas escolas de ensino fundamental, norma implementada neste ano na cidade. Até o ano passado, o antigo primário recebia alunos a partir dos sete. Lei federal determinou a antecipação da entrada para que os estudantes pobres tivessem mais um ano de escolarização (crianças na faixa do fundamental devem, obrigatoriamente, estar na escola). A ideia era que houvesse adaptação para receber as crianças mais novas, com carteiras adequadas, espaços como brinquedotecas e a criação de projeto pedagógico que mesclasse o início da alfabetização com atividades lúdicas.
Nada disso ocorreu na rede pública de São Paulo, segundo professores e diretores ouvidos pela Folha, presidentes das entidades que representam diretores dos colégios, educadores e um membro do Conselho Nacional de Educação. A lei, de 2005, havia dado cinco anos para implementação. Tanto o governo José Serra (PSDB) quanto a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) dizem que a adaptação do novo fundamental já começou, mas admitem que não foi finalizada. "As crianças reclamam que não têm parquinho, que têm de ficar cinco horas na sala de aula. As carteiras que atendem aos alunos da EJA [antigo supletivo] são as mesmas das dos de seis anos", diz João Alberto Rodrigues de Souza, do Sinesp (sindicato dos dirigentes da rede municipal). "Não houve capacitação dos professores. É para alfabetizar? É para focar na parte lúdica? Ninguém sabe", diz o presidente da Udemo (sindicato dos dirigentes da rede estadual), Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto. Professor de escola estadual na zona sul, Batista conta que precisa levantar as crianças no colo para elas alcançarem os bebedouros. Elas também têm dificuldades para usar o banheiro.
"Verificamos a falta de adaptação em São Paulo e em boa parte do país", diz o presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, Cesar Callegari. "Muitas redes apenas transferiram a antiga primeira série [alunos de sete anos] para o primeiro ano". A gestão Kassab diz que a adequação do mobiliário iniciou em 2007, não foi concluída, mas todas escolas serão atendidas. Já o governo estadual afirma que "à medida das diferentes demandas da diretorias de ensino serão encaminhados equipamentos para as escolas". A prefeitura possui 55,5 mil alunos no novo primeiro ano. O Estado não informou o dado.
Vagas nas federais terão lista de espera
O Estado de São Paulo, 26/02/2010 - São Paulo SP
Vagas nas federais terão lista de espera
MEC muda regra no Sisu para evitar ociosidade nas universidades
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) das instituições federais terá uma lista de espera após a terceira etapa de inscrições. Segundo a nova regra, publicada anteontem no Diário Oficial da União, o candidato que não for aprovado na terceira e última fase do processo seletivo terá de confirmar o interesse pela vaga no curso no qual disputava vaga. O prazo para manifestar o interesse vai de 9 a 12 de março - durante o período da confirmação de matrícula dos convocados na terceira etapa. Ao fim das matrículas, a universidade ou instituto federal que ainda tiver vagas não preenchidas poderá fazer chamadas posteriores com base na lista, utilizando a classificação dos estudantes que manifestaram interesse. Outra novidade é que o sistema permitirá o cancelamento da inscrição. Nas etapas anteriores, os candidatos que se cadastraram apenas como teste em determinado curso não podiam voltar atrás. As alterações têm o objetivo de evitar a sobra de vagas. O governo esperava que o sistema oferecesse já na segunda etapa apenas vagas residuais. No entanto, após a primeira rodada, restaram mais de 60%.
Hoje é o último dia para a confirmação da matrícula dos aprovados na segunda etapa do Sisu, que ofereceu 29.240 vagas remanescentes - para as quais, teve 550.972 inscritos. Nessa etapa, mais uma vez o bacharelado de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do ABC teve o maior número de inscritos, com 11.919 estudantes disputando uma das 671 vagas restantes. Em segundo lugar ficou Administração da Federal Rural do Rio de Janeiro, com 7.149 candidatos.
A vaga só será devidamente ocupada após a confirmação da matrícula. As que permanecerem ociosas serão oferecidas novamente na terceira rodada. A partir da próxima segunda-feira, os estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão se inscrever na última etapa. O prazo vai até o dia 3, e o resultado será divulgado no dia 5. Os estudantes que não conseguirem vaga nem na lista de espera poderão ter outras chance neste ano. O Ministério da Educação (MEC) tem a intenção de abrir uma nova etapa de seleção para as vagas ofertadas no meio do ano e também para preencher as que, eventualmente, ficarem ociosas por causa de desistências.
PROCESSO - Na primeira etapa do Sisu, 793.910 candidatos se inscreveram para 47,9 mil vagas em 51 instituições federais. O sistema criado para a seleção em universidades federais usando a nota do Enem estreou com congestionamentos, dificuldades de acesso e mensagens de erro. O MEC recebeu nos primeiros dias de inscrição cerca de 18 mil telefonemas com dúvidas e reclamações. Mesmo após a normalização do sistema, muitos estudantes se queixaram de todo processo. Em geral, a reclamação é que o processo para a inscrição é confuso. A consulta a novas vagas e a manifestação do interesse pela lista de espera devem ser feitas pelo site www.mec.gov.br/sisu.
CALENDÁRIO - Segunda etapa: Hoje é o último dia para que os aprovados confirmem a matrícula nas instituições federais. As vagas não ocupadas serão oferecidas na última fase. Terceira etapa: A inscrição para as vagas remanescentes ocorre entre os dias 1.º e 3 de março, no site do Sisu. O resultado dessa fase sai no dia 5. A matrícula dos aprovados deverá ser feita entre os dias 9 e 12 de março. Lista de espera: Os estudantes que não foram convocados podem manifestar interesse para integrar a lista de espera do curso para o qual se inscreveu. O interesse pela vaga deve ser manifestado também por meio do site.
Vagas nas federais terão lista de espera
MEC muda regra no Sisu para evitar ociosidade nas universidades
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) das instituições federais terá uma lista de espera após a terceira etapa de inscrições. Segundo a nova regra, publicada anteontem no Diário Oficial da União, o candidato que não for aprovado na terceira e última fase do processo seletivo terá de confirmar o interesse pela vaga no curso no qual disputava vaga. O prazo para manifestar o interesse vai de 9 a 12 de março - durante o período da confirmação de matrícula dos convocados na terceira etapa. Ao fim das matrículas, a universidade ou instituto federal que ainda tiver vagas não preenchidas poderá fazer chamadas posteriores com base na lista, utilizando a classificação dos estudantes que manifestaram interesse. Outra novidade é que o sistema permitirá o cancelamento da inscrição. Nas etapas anteriores, os candidatos que se cadastraram apenas como teste em determinado curso não podiam voltar atrás. As alterações têm o objetivo de evitar a sobra de vagas. O governo esperava que o sistema oferecesse já na segunda etapa apenas vagas residuais. No entanto, após a primeira rodada, restaram mais de 60%.
Hoje é o último dia para a confirmação da matrícula dos aprovados na segunda etapa do Sisu, que ofereceu 29.240 vagas remanescentes - para as quais, teve 550.972 inscritos. Nessa etapa, mais uma vez o bacharelado de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do ABC teve o maior número de inscritos, com 11.919 estudantes disputando uma das 671 vagas restantes. Em segundo lugar ficou Administração da Federal Rural do Rio de Janeiro, com 7.149 candidatos.
A vaga só será devidamente ocupada após a confirmação da matrícula. As que permanecerem ociosas serão oferecidas novamente na terceira rodada. A partir da próxima segunda-feira, os estudantes que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderão se inscrever na última etapa. O prazo vai até o dia 3, e o resultado será divulgado no dia 5. Os estudantes que não conseguirem vaga nem na lista de espera poderão ter outras chance neste ano. O Ministério da Educação (MEC) tem a intenção de abrir uma nova etapa de seleção para as vagas ofertadas no meio do ano e também para preencher as que, eventualmente, ficarem ociosas por causa de desistências.
PROCESSO - Na primeira etapa do Sisu, 793.910 candidatos se inscreveram para 47,9 mil vagas em 51 instituições federais. O sistema criado para a seleção em universidades federais usando a nota do Enem estreou com congestionamentos, dificuldades de acesso e mensagens de erro. O MEC recebeu nos primeiros dias de inscrição cerca de 18 mil telefonemas com dúvidas e reclamações. Mesmo após a normalização do sistema, muitos estudantes se queixaram de todo processo. Em geral, a reclamação é que o processo para a inscrição é confuso. A consulta a novas vagas e a manifestação do interesse pela lista de espera devem ser feitas pelo site www.mec.gov.br/sisu.
CALENDÁRIO - Segunda etapa: Hoje é o último dia para que os aprovados confirmem a matrícula nas instituições federais. As vagas não ocupadas serão oferecidas na última fase. Terceira etapa: A inscrição para as vagas remanescentes ocorre entre os dias 1.º e 3 de março, no site do Sisu. O resultado dessa fase sai no dia 5. A matrícula dos aprovados deverá ser feita entre os dias 9 e 12 de março. Lista de espera: Os estudantes que não foram convocados podem manifestar interesse para integrar a lista de espera do curso para o qual se inscreveu. O interesse pela vaga deve ser manifestado também por meio do site.
Sistema de escolha do Enem pode gerar universitários frustrados
Portal G1, 25/02/2010
Sistema de escolha do Enem pode gerar universitários frustrados
Para conseguir a aprovação, aluno escolhe curso menos concorrido. 'Não dá para brincar de fazer faculdade', diz psicóloga
Ana Cássia Maturano
O processo seletivo para a entrada em algumas universidades pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apesar dos problemas que enfrentou, está caminhando e trazendo esperança a muitos jovens. Eles contam entrar numa faculdade pública para poderem dar prosseguimento aos estudos e se prepararem para exercer uma profissão. A disputa não é fácil pois, como sempre, há mais candidatos que vagas. Porém, em relação ao vestibular, a princípio apresenta uma vantagem: ao verificar que os cursos aos quais se inscreveu têm uma nota de corte alta em relação a sua, o estudante pode, dentro do prazo da inscrição, mudar sua escolha. Isso, segundo internautas do G1, tem feito com que alguns concorrentes mudem não só a opção da instituição que pretendia entrar, mas também a carreira, optando por outra cuja a nota de corte é menor. Não temos dados para comprovar que isso esteja realmente acontecendo. É bem provável que sim. Às vezes, nos vestibulares tradicionais, o aluno, diante da indecisão e da necessidade de entrar em uma faculdade, opta em cada instituição por um curso diferente, que nem sempre apresentam afinidades. Percebe-se que fazer um curso superior antecede a busca por uma profissão: estar na universidade é o que importa.
Ora, estar no ensino superior e se esforçar para ser aprovado no vestibular ou no Enem só faz sentido caso se tenha um projeto profissional. É por isso que as pessoas cursam uma faculdade. Entrar na faculdade a qualquer custo, independente da carreira, pode resultar em problemas futuros, como ser um profissional frustrado que vai fazer outra coisa, ou o abandono do próprio curso. A evasão universitária gira em torno de 22%. Uma pesquisa realizada pela professora Yvette Piha Lehman do Instituto de Psicologia da USP constatou que cerca de metade dos estudantes que abandonam a universidade o fazem por dificuldade em escolher uma carreira, seja por desconhecê-la ou por pressões familiares. O problema não é do sistema do Enem. Ele tenta ser democrático. Porém, dá uma brecha para que os indecisos acabem ocupando uma vaga que não é de seu interesse, podendo futuramente inutilizá-la. E o pior: impedindo que alguém, que tenha um real interesse por aquela vaga, possa ocupá-la.
Satisfação pessoal - Assim, o estudante tem uma questão anterior à entrada em uma faculdade: o da escolha de uma carreira adequada ao seu perfil, o que vai aumentar as chances de ter satisfação pessoal durante a vida. Faz-se necessário que essa questão seja olhada e trabalhada pelas instituições de ensino fundamental e médio, públicas ou privadas. A vida é rápida. Não dá para brincar de fazer faculdade, com o risco de ser infeliz. A escolha de uma profissão conta muito para a realização de uma pessoa. Afinal, o indivíduo passa a maior parte da vida trabalhando. O trabalho pode e deve ser prazeroso. (Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)
Sistema de escolha do Enem pode gerar universitários frustrados
Para conseguir a aprovação, aluno escolhe curso menos concorrido. 'Não dá para brincar de fazer faculdade', diz psicóloga
Ana Cássia Maturano
O processo seletivo para a entrada em algumas universidades pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apesar dos problemas que enfrentou, está caminhando e trazendo esperança a muitos jovens. Eles contam entrar numa faculdade pública para poderem dar prosseguimento aos estudos e se prepararem para exercer uma profissão. A disputa não é fácil pois, como sempre, há mais candidatos que vagas. Porém, em relação ao vestibular, a princípio apresenta uma vantagem: ao verificar que os cursos aos quais se inscreveu têm uma nota de corte alta em relação a sua, o estudante pode, dentro do prazo da inscrição, mudar sua escolha. Isso, segundo internautas do G1, tem feito com que alguns concorrentes mudem não só a opção da instituição que pretendia entrar, mas também a carreira, optando por outra cuja a nota de corte é menor. Não temos dados para comprovar que isso esteja realmente acontecendo. É bem provável que sim. Às vezes, nos vestibulares tradicionais, o aluno, diante da indecisão e da necessidade de entrar em uma faculdade, opta em cada instituição por um curso diferente, que nem sempre apresentam afinidades. Percebe-se que fazer um curso superior antecede a busca por uma profissão: estar na universidade é o que importa.
Ora, estar no ensino superior e se esforçar para ser aprovado no vestibular ou no Enem só faz sentido caso se tenha um projeto profissional. É por isso que as pessoas cursam uma faculdade. Entrar na faculdade a qualquer custo, independente da carreira, pode resultar em problemas futuros, como ser um profissional frustrado que vai fazer outra coisa, ou o abandono do próprio curso. A evasão universitária gira em torno de 22%. Uma pesquisa realizada pela professora Yvette Piha Lehman do Instituto de Psicologia da USP constatou que cerca de metade dos estudantes que abandonam a universidade o fazem por dificuldade em escolher uma carreira, seja por desconhecê-la ou por pressões familiares. O problema não é do sistema do Enem. Ele tenta ser democrático. Porém, dá uma brecha para que os indecisos acabem ocupando uma vaga que não é de seu interesse, podendo futuramente inutilizá-la. E o pior: impedindo que alguém, que tenha um real interesse por aquela vaga, possa ocupá-la.
Satisfação pessoal - Assim, o estudante tem uma questão anterior à entrada em uma faculdade: o da escolha de uma carreira adequada ao seu perfil, o que vai aumentar as chances de ter satisfação pessoal durante a vida. Faz-se necessário que essa questão seja olhada e trabalhada pelas instituições de ensino fundamental e médio, públicas ou privadas. A vida é rápida. Não dá para brincar de fazer faculdade, com o risco de ser infeliz. A escolha de uma profissão conta muito para a realização de uma pessoa. Afinal, o indivíduo passa a maior parte da vida trabalhando. O trabalho pode e deve ser prazeroso. (Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)
Perspectiva de mudança do paradigma educacional
Gazeta de Alagoas, 25/02/2010 - Maceió AL
Perspectiva de mudança do paradigma educacional
Ao longo de mais de dez anos de magistérios, lecionando na rede particular, monitor da rede estadual de ensino e professor substituto da Rede Federal de Ensino – Ifal, Campus Palmeira dos Índios, escola pública, observamos que a maioria dos alunos parece ter aversão ao estudo de gráficos, sobretudo no segundo ciclo ensino fundamental, quando tratamos da equação do 2° grau. É espantoso o grau de desinformação em que se encontram os alunos. Muitos deles demonstram não ter conhecimento das propriedades básicas, como exemplo somar, multiplicar, dividir e subtrair. Diante deste quadro, decidimos fazer uma investigação, tentando verificar a eficiência do uso de aulas práticas no laboratório de informática.
O fracasso do ensino da matemática, ensinada de maneira tradicional, alertou psicólogos, pedagogos e professores de Matemática, de vários países e instituição do nosso Estado Alagoano para um estudo das suas causas e apresentação de maneiras de evitá-lo. Este trabalho tem por objetivo promover uma reflexão sobre o papel do educador em matemática buscando entender os princípios de sua instrumentação, Sistema Tutorial Inteligente – STI, essa ferramenta tecnológica. Pode contribuir para a criação de um ambiente que ofereça ao aluno a possibilidade de contribuir uma ponte entre os conceitos matemáticos e o mundo prático.
O sistema Tutorial Inteligente, (STI), aprendizagem mediada pelo computador e aprendizagem ou educação baseada na web, o uso dessa ferramentas tem trazido uma mudança no perfil da maioria dos profissionais que estão sendo requisitados no mercado de trabalho, tendo maior valorização o indivíduo que tenha mais flexibilidade em aprender e adaptar-se às mudanças cada vez mais rápidas. O sistema tutorial inteligentes, é explorar as teorias sobre a aprendizagem e constrói o software que entrega o ensino diferencial, os sistemas que adaptam sua resposta de ensino após o raciocínio sobre o estudante necessidades e conhecimento do domínio. Este sistema descreve como construir estes tutores e como produzir o ambiente de aprendizagem por toda vida. Uma das grandes modificações ocorridas com a revolução digital, foi a necessidade e aprendizagem em sala de aula, melhorando o ensino teoria/prática, cabendo aos professores o papel de mediador propiciando exercício da cooperação e da colaboração na realização das atividades. Principalmente quando é acompanhada pelo orientador, pois os tornam capazes de ampliar suas visões, pois para cada ser humano esta visão nos chega de forma distinta e é neste momento, que há a troca, do ato com à teoria para tirar as dúvidas que chegam a surgir ou a discordar com a teoria e nascendo assim outras linhas de pensamentos e conclusões a serem defendidas em teses, até serem comprovadas e firmadas. Portanto, esta prática jamais deve ser descartada, pois é um momento rico para o alunado e o professor ou orientador. A visão passa a ser ampla e diferente para alguns.
Perspectiva de mudança do paradigma educacional
Ao longo de mais de dez anos de magistérios, lecionando na rede particular, monitor da rede estadual de ensino e professor substituto da Rede Federal de Ensino – Ifal, Campus Palmeira dos Índios, escola pública, observamos que a maioria dos alunos parece ter aversão ao estudo de gráficos, sobretudo no segundo ciclo ensino fundamental, quando tratamos da equação do 2° grau. É espantoso o grau de desinformação em que se encontram os alunos. Muitos deles demonstram não ter conhecimento das propriedades básicas, como exemplo somar, multiplicar, dividir e subtrair. Diante deste quadro, decidimos fazer uma investigação, tentando verificar a eficiência do uso de aulas práticas no laboratório de informática.
O fracasso do ensino da matemática, ensinada de maneira tradicional, alertou psicólogos, pedagogos e professores de Matemática, de vários países e instituição do nosso Estado Alagoano para um estudo das suas causas e apresentação de maneiras de evitá-lo. Este trabalho tem por objetivo promover uma reflexão sobre o papel do educador em matemática buscando entender os princípios de sua instrumentação, Sistema Tutorial Inteligente – STI, essa ferramenta tecnológica. Pode contribuir para a criação de um ambiente que ofereça ao aluno a possibilidade de contribuir uma ponte entre os conceitos matemáticos e o mundo prático.
O sistema Tutorial Inteligente, (STI), aprendizagem mediada pelo computador e aprendizagem ou educação baseada na web, o uso dessa ferramentas tem trazido uma mudança no perfil da maioria dos profissionais que estão sendo requisitados no mercado de trabalho, tendo maior valorização o indivíduo que tenha mais flexibilidade em aprender e adaptar-se às mudanças cada vez mais rápidas. O sistema tutorial inteligentes, é explorar as teorias sobre a aprendizagem e constrói o software que entrega o ensino diferencial, os sistemas que adaptam sua resposta de ensino após o raciocínio sobre o estudante necessidades e conhecimento do domínio. Este sistema descreve como construir estes tutores e como produzir o ambiente de aprendizagem por toda vida. Uma das grandes modificações ocorridas com a revolução digital, foi a necessidade e aprendizagem em sala de aula, melhorando o ensino teoria/prática, cabendo aos professores o papel de mediador propiciando exercício da cooperação e da colaboração na realização das atividades. Principalmente quando é acompanhada pelo orientador, pois os tornam capazes de ampliar suas visões, pois para cada ser humano esta visão nos chega de forma distinta e é neste momento, que há a troca, do ato com à teoria para tirar as dúvidas que chegam a surgir ou a discordar com a teoria e nascendo assim outras linhas de pensamentos e conclusões a serem defendidas em teses, até serem comprovadas e firmadas. Portanto, esta prática jamais deve ser descartada, pois é um momento rico para o alunado e o professor ou orientador. A visão passa a ser ampla e diferente para alguns.
Quem tem pressa........
Revista Gestão Universitária, Edição 214
Quem tem pressa........
Existem alguns ditados e provérbios da sábia cultura popular aos quais tenho apreço: “a pressa é a inimiga da perfeição” (Rui Barbosa) e “quem tem pressa come cru e quente”. Contudo, esses dois ditames não foram plenamente absorvidos pelas nossas instituições de ensino superior (IES). Dia desses vi uma propaganda de uma IES que dizia “cursos superiores a partir de 2 anos”! Ironicamente pensei: “vou matricular meu filho de três anos nessa escola e economizar um bocado de tempo – e dinheiro (ele não precisará passar pelas etapas dos ensinos infantil, fundamental e médio)”. Ironia a parte, a gente fica com a impressão que o ensino superior está sendo oferecido pelas IES na pressa de se ver livre do seu (tão caro) aluno, que ela tanto trabalha para conquistar. Por que essa pressa em formar (?) um profissional? Exigências do mercado de trabalho? Besteira!
Os cursos superiores de tecnologia (CST), laureados de boas intenções, acabaram em boa parte deturpando o conceito de curso superior. Não é possível que em apenas 1600 horas ou dois anos, se forme alguém com senso crítico e analítico aprofundado. Vão dizer: “mas é para formar para o mercado de trabalho”. Besteira novamente! Longe de querer generalizar, em várias IES os cursos tecnológicos são cursos “caça níqueis”. Assim, o CST deveria existir não como um curso superior e sim como um curso aberto aos concluintes do ensino médio, tornando-se uma porta para esses alunos entrarem não só para o tal de mercado, mas também para uma graduação plena na mesma IES onde fez o CST. As faculdades, centros universitários e universidades agradeceriam! Mas isso é polêmico demais. Absurdo semelhante se observa em algumas IES que oferecem graduação e pós-graduação em conjunto (num pacote só). O aluno sai com diploma de graduação e, de quebra, leva um de pós (especialista). Pague um e leve dois! Mas se é uma graduação, como é possível cursar junto com a pós-graduação? Pós não vem depois? Criaram a “paralelo-graduação”! Coisa esquisita e absurda!
Muito embora algumas Diretrizes Curriculares dos cursos de graduação (DCN) façam a seguinte previsão: “Com base no princípio de educação continuada, as IES poderão incluir no Projeto Pedagógico do curso o oferecimento de cursos de pós-graduação lato sensu, nas respectivas modalidades, de acordo com o surgimento de novos ramos econômicos, e de aperfeiçoamento, de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional”, é preciso observar que essas mesmas DCN estabelecem que os projetos pedagógicos dos cursos devem prever “modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver”. Ou seja, ao invés de esclarecer e facilitar, a redação da DCN gera a possibilidade de interpretações variadas e equivocadas.
Vejo isso por dois ângulos. O primeiro, dada a enorme concorrência no ensino superior, muitas IES entraram em desespero e estão oferecendo coisas absurdas para conquistar (hoje) um escasso e exigente aluno. Em segundo lugar, na ótica do aluno que procura se formar, a todo custo, no menor espaço de tempo. Para quê? O mercado de trabalho e a sociedade em geral, de fato, estão em um processo de transformação cuja dinâmica até hoje não se viu igual. Porém não se pode querer “colocar a carroça na frente dos burros” (eis outra expressão popular inteligente). Apressar o processo de formação dos alunos não contribui em nada para facilitar sua inserção no mercado de trabalho. Acredito que aconteça ao contrário: ao invés de beneficiar o aluno, esta afobação em diminuir o tempo de duração dos cursos, acaba prejudicando-o. Na ânsia de querer ensinar tudo em um curto espaço de tempo, acaba não se ensinando nada. O aluno sai do curso com deficiências gritantes e não consegue a tão sonhada colocação no seleto, e cada vez mais exigente, mercado de trabalho. Resultado: tempo e dinheiro jogados fora!
Conseguiram (em parte) embutir na cabeça dos alunos que se ele concluir rapidamente seu curso terá maiores chances no mercado de trabalho. Pura ilusão! Para completar o desastre, as Resoluções do Conselho Nacional de Educação - CNE que fixaram as cargas horárias mínimas dos cursos de graduação, bem como o tempo mínimo de integralização, associadas à possibilidade de se oferecer 20% da carga horária em Estágios e Atividades Complementares e ainda até 20% da carga horária (para os cursos reconhecidos) na modalidade não-presencial, levou as IES a reformularem suas matrizes curriculares, diminuindo a presença do aluno na escola e também reduzindo o tempo de integralização. Toda IES quer trabalhar com a carga horária mínima por questões de custo e concorrência. Qualidade? Fica em segundo ou terceiro plano. E o pior é que o aluno cai nessa!
Não há como negar que o ensino superior particular é um negócio e, como tal, tem que gerar lucro (seja para seus mantenedores, seja para reinvestimento na IES), mas a ânsia de lucro está dando uma contribuição negativa a esse segmento. O ensino superior é um negócio diferenciado e não pode ser operacionalizado como um mercadinho de bairro. Quem entra nesse nicho de mercado deve saber das suas peculiaridades e que o retorno financeiro não é imediato. Portanto, a lógica de encurtar a duração dos cursos, desovando egressos incapazes, não trará retorno financeiro a curto prazo como muitos dirigentes de IES devem pensar. Se de fato “a pressa é inimiga da perfeição”, “o raciocínio e a pressa não se dão bem” (Sófocles).
Quem tem pressa........
Existem alguns ditados e provérbios da sábia cultura popular aos quais tenho apreço: “a pressa é a inimiga da perfeição” (Rui Barbosa) e “quem tem pressa come cru e quente”. Contudo, esses dois ditames não foram plenamente absorvidos pelas nossas instituições de ensino superior (IES). Dia desses vi uma propaganda de uma IES que dizia “cursos superiores a partir de 2 anos”! Ironicamente pensei: “vou matricular meu filho de três anos nessa escola e economizar um bocado de tempo – e dinheiro (ele não precisará passar pelas etapas dos ensinos infantil, fundamental e médio)”. Ironia a parte, a gente fica com a impressão que o ensino superior está sendo oferecido pelas IES na pressa de se ver livre do seu (tão caro) aluno, que ela tanto trabalha para conquistar. Por que essa pressa em formar (?) um profissional? Exigências do mercado de trabalho? Besteira!
Os cursos superiores de tecnologia (CST), laureados de boas intenções, acabaram em boa parte deturpando o conceito de curso superior. Não é possível que em apenas 1600 horas ou dois anos, se forme alguém com senso crítico e analítico aprofundado. Vão dizer: “mas é para formar para o mercado de trabalho”. Besteira novamente! Longe de querer generalizar, em várias IES os cursos tecnológicos são cursos “caça níqueis”. Assim, o CST deveria existir não como um curso superior e sim como um curso aberto aos concluintes do ensino médio, tornando-se uma porta para esses alunos entrarem não só para o tal de mercado, mas também para uma graduação plena na mesma IES onde fez o CST. As faculdades, centros universitários e universidades agradeceriam! Mas isso é polêmico demais. Absurdo semelhante se observa em algumas IES que oferecem graduação e pós-graduação em conjunto (num pacote só). O aluno sai com diploma de graduação e, de quebra, leva um de pós (especialista). Pague um e leve dois! Mas se é uma graduação, como é possível cursar junto com a pós-graduação? Pós não vem depois? Criaram a “paralelo-graduação”! Coisa esquisita e absurda!
Muito embora algumas Diretrizes Curriculares dos cursos de graduação (DCN) façam a seguinte previsão: “Com base no princípio de educação continuada, as IES poderão incluir no Projeto Pedagógico do curso o oferecimento de cursos de pós-graduação lato sensu, nas respectivas modalidades, de acordo com o surgimento de novos ramos econômicos, e de aperfeiçoamento, de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional”, é preciso observar que essas mesmas DCN estabelecem que os projetos pedagógicos dos cursos devem prever “modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver”. Ou seja, ao invés de esclarecer e facilitar, a redação da DCN gera a possibilidade de interpretações variadas e equivocadas.
Vejo isso por dois ângulos. O primeiro, dada a enorme concorrência no ensino superior, muitas IES entraram em desespero e estão oferecendo coisas absurdas para conquistar (hoje) um escasso e exigente aluno. Em segundo lugar, na ótica do aluno que procura se formar, a todo custo, no menor espaço de tempo. Para quê? O mercado de trabalho e a sociedade em geral, de fato, estão em um processo de transformação cuja dinâmica até hoje não se viu igual. Porém não se pode querer “colocar a carroça na frente dos burros” (eis outra expressão popular inteligente). Apressar o processo de formação dos alunos não contribui em nada para facilitar sua inserção no mercado de trabalho. Acredito que aconteça ao contrário: ao invés de beneficiar o aluno, esta afobação em diminuir o tempo de duração dos cursos, acaba prejudicando-o. Na ânsia de querer ensinar tudo em um curto espaço de tempo, acaba não se ensinando nada. O aluno sai do curso com deficiências gritantes e não consegue a tão sonhada colocação no seleto, e cada vez mais exigente, mercado de trabalho. Resultado: tempo e dinheiro jogados fora!
Conseguiram (em parte) embutir na cabeça dos alunos que se ele concluir rapidamente seu curso terá maiores chances no mercado de trabalho. Pura ilusão! Para completar o desastre, as Resoluções do Conselho Nacional de Educação - CNE que fixaram as cargas horárias mínimas dos cursos de graduação, bem como o tempo mínimo de integralização, associadas à possibilidade de se oferecer 20% da carga horária em Estágios e Atividades Complementares e ainda até 20% da carga horária (para os cursos reconhecidos) na modalidade não-presencial, levou as IES a reformularem suas matrizes curriculares, diminuindo a presença do aluno na escola e também reduzindo o tempo de integralização. Toda IES quer trabalhar com a carga horária mínima por questões de custo e concorrência. Qualidade? Fica em segundo ou terceiro plano. E o pior é que o aluno cai nessa!
Não há como negar que o ensino superior particular é um negócio e, como tal, tem que gerar lucro (seja para seus mantenedores, seja para reinvestimento na IES), mas a ânsia de lucro está dando uma contribuição negativa a esse segmento. O ensino superior é um negócio diferenciado e não pode ser operacionalizado como um mercadinho de bairro. Quem entra nesse nicho de mercado deve saber das suas peculiaridades e que o retorno financeiro não é imediato. Portanto, a lógica de encurtar a duração dos cursos, desovando egressos incapazes, não trará retorno financeiro a curto prazo como muitos dirigentes de IES devem pensar. Se de fato “a pressa é inimiga da perfeição”, “o raciocínio e a pressa não se dão bem” (Sófocles).
MEC oferece cursos de formação continuada para professores
Portal Terra Educação, 24/02/2010
MEC oferece cursos de formação continuada para professores
Professores da rede pública interessados em participar dos cursos de formação continuada oferecidos pelo Ministério da Educação devem se inscrever até o próximo domingo pela internet. Os cursos de curta duração são oferecidos em parceria com universidades públicas, escolas técnicas, estados e municípios. Estão abertas 354.952 vagas. O processo todo é feito pela Plataforma Freire: http://freire.mec.gov.br. O professor faz sua pré-inscrição que deve ser confirmada pelas secretaria de educação - municipal ou estadual. Podem participar docentes que tenham formação específica para o magistério em nível médio (técnico ou normal) e aqueles com licenciatura ou formados em pedagogia. Os cursos têm carga horária entre 40 e 300 horas e abrangem diversas áreas como educação em direitos humanos, diversidade, relações étnico-raciais e o uso do computador na escola. Mais informações no site do MEC (http://www.mec.gov.br) ou pelo telefone 0800 616161.
MEC oferece cursos de formação continuada para professores
Professores da rede pública interessados em participar dos cursos de formação continuada oferecidos pelo Ministério da Educação devem se inscrever até o próximo domingo pela internet. Os cursos de curta duração são oferecidos em parceria com universidades públicas, escolas técnicas, estados e municípios. Estão abertas 354.952 vagas. O processo todo é feito pela Plataforma Freire: http://freire.mec.gov.br. O professor faz sua pré-inscrição que deve ser confirmada pelas secretaria de educação - municipal ou estadual. Podem participar docentes que tenham formação específica para o magistério em nível médio (técnico ou normal) e aqueles com licenciatura ou formados em pedagogia. Os cursos têm carga horária entre 40 e 300 horas e abrangem diversas áreas como educação em direitos humanos, diversidade, relações étnico-raciais e o uso do computador na escola. Mais informações no site do MEC (http://www.mec.gov.br) ou pelo telefone 0800 616161.
Na indústria, recursos para pagar juros são sete vezes superiores a gastos com P&D
Portal IG Educação, 24/02/2010
Na indústria, recursos para pagar juros são sete vezes superiores a gastos com P&D
Os riscos econômicos – leia-se câmbio e taxa de juros – seguidos por problemas relacionados ao financiamento e pelas dificuldades na obtenção de informações foram apontados como os principais fatores que impedem ou dificultam investimentos em atividades inovadoras no País. Essa é a conclusão da pesquisa “Obstáculos à Inovação”, realizada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec/Fiesp). De acordo com o estudo, que envolveu 334 empresas de pequeno, médio e grande porte do estado de São Paulo, os “riscos econômicos” exigem maior esforço de superação na opinião de 40% dos entrevistados. Nesta categoria, os itens “elevada taxa de juros” (58%) e “instabilidade/valorização do câmbio” (55%) foram classificados como os principais entraves à inovação.
A avaliação é que a volatilidade do câmbio e os juros aumentam o custo dos projetos e o grau de incerteza dos executivos, além de inibir a ampliação da capacidade produtiva e o aumento dos gastos com inovação. A pesquisa informa que os recursos destinados ao pagamento de juros são 6,88 vezes superiores aos investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, afirma que a maior parte dos investimentos em inovação na indústria é feita com recursos próprios das empresas. Segundo ele, isso explica o impacto de itens como a taxa de juros e o câmbio sobre a disposição dos executivos para assumir riscos e apostar no desenvolvimento de produtos que podem não ter a demanda esperada.
Muito discurso, pouca ação - “Com a valorização do real e a entrada de produtos importados a preços muito competitivos, a indústria nacional se vê obrigada a criar produtos diferenciados e a inovação é a solução para tudo”, diz Coelho. Para ele, os executivos têm essa noção. “Mas, a verdade é que as empresas brasileiras falam muito, mas ainda fazem pouco ou quase nada para estimular atividades inovadoras”, afirma. Para Coelho, o alto custo do capital limita o aumento dos investimentos em inovação no País. “Poucas companhias têm acesso a financiamentos com juros baixos”, diz. De acordo com o estudo, na categoria “problemas relacionados ao financiamento”, mencionada por 31,5% dos entrevistados, o item mais lembrado foi “custos de financiamentos (juros e outros encargos)”, com 58%. Já na categoria “elevados custos da inovação” (31,1%), o maior obstáculo foi a “elevada carga tributária incidente nos gastos com I,P&D”, com 59% das respostas.
Mundo acadêmico distante - A pesquisa da Fiesp aponta ainda a distância entre o mundo acadêmico e o empresarial. A “falta de informação sobre os serviços disponibilizados pela universidade” foi classificada como o maior obstáculo na categoria “Dificuldades na obtenção de informações para desenvolver idéias inovadoras, com 35% de respostas. Nas grandes empresas, esse percentual foi ainda maior, chegando a 43%. “O empresário não procura a universidade porque acha que não vai agregar nada”, afirma Coelho. “A universidade acredita que não precisa da empresa para sobreviver e investir em Pesquisa e Desenvolvimento.” Ele acredita que isso só vai mudar quando houver uma revisão do marco regulatório que rege as relações entre universidades e empresas, incluindo temas como o uso de patentes, a contratação temporária de professores e pesquisadores e a remuneração por projetos específicos.
Na indústria, recursos para pagar juros são sete vezes superiores a gastos com P&D
Os riscos econômicos – leia-se câmbio e taxa de juros – seguidos por problemas relacionados ao financiamento e pelas dificuldades na obtenção de informações foram apontados como os principais fatores que impedem ou dificultam investimentos em atividades inovadoras no País. Essa é a conclusão da pesquisa “Obstáculos à Inovação”, realizada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec/Fiesp). De acordo com o estudo, que envolveu 334 empresas de pequeno, médio e grande porte do estado de São Paulo, os “riscos econômicos” exigem maior esforço de superação na opinião de 40% dos entrevistados. Nesta categoria, os itens “elevada taxa de juros” (58%) e “instabilidade/valorização do câmbio” (55%) foram classificados como os principais entraves à inovação.
A avaliação é que a volatilidade do câmbio e os juros aumentam o custo dos projetos e o grau de incerteza dos executivos, além de inibir a ampliação da capacidade produtiva e o aumento dos gastos com inovação. A pesquisa informa que os recursos destinados ao pagamento de juros são 6,88 vezes superiores aos investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Decomtec, afirma que a maior parte dos investimentos em inovação na indústria é feita com recursos próprios das empresas. Segundo ele, isso explica o impacto de itens como a taxa de juros e o câmbio sobre a disposição dos executivos para assumir riscos e apostar no desenvolvimento de produtos que podem não ter a demanda esperada.
Muito discurso, pouca ação - “Com a valorização do real e a entrada de produtos importados a preços muito competitivos, a indústria nacional se vê obrigada a criar produtos diferenciados e a inovação é a solução para tudo”, diz Coelho. Para ele, os executivos têm essa noção. “Mas, a verdade é que as empresas brasileiras falam muito, mas ainda fazem pouco ou quase nada para estimular atividades inovadoras”, afirma. Para Coelho, o alto custo do capital limita o aumento dos investimentos em inovação no País. “Poucas companhias têm acesso a financiamentos com juros baixos”, diz. De acordo com o estudo, na categoria “problemas relacionados ao financiamento”, mencionada por 31,5% dos entrevistados, o item mais lembrado foi “custos de financiamentos (juros e outros encargos)”, com 58%. Já na categoria “elevados custos da inovação” (31,1%), o maior obstáculo foi a “elevada carga tributária incidente nos gastos com I,P&D”, com 59% das respostas.
Mundo acadêmico distante - A pesquisa da Fiesp aponta ainda a distância entre o mundo acadêmico e o empresarial. A “falta de informação sobre os serviços disponibilizados pela universidade” foi classificada como o maior obstáculo na categoria “Dificuldades na obtenção de informações para desenvolver idéias inovadoras, com 35% de respostas. Nas grandes empresas, esse percentual foi ainda maior, chegando a 43%. “O empresário não procura a universidade porque acha que não vai agregar nada”, afirma Coelho. “A universidade acredita que não precisa da empresa para sobreviver e investir em Pesquisa e Desenvolvimento.” Ele acredita que isso só vai mudar quando houver uma revisão do marco regulatório que rege as relações entre universidades e empresas, incluindo temas como o uso de patentes, a contratação temporária de professores e pesquisadores e a remuneração por projetos específicos.
Ipea: Brasil forma muitos engenheiros nas faculdades, mas poucos trabalham na profissão
Portal UOL Educação, 24/02/2010
Ipea: Brasil forma muitos engenheiros nas faculdades, mas poucos trabalham na profissão
De cada 3,5 engenheiros formados no Brasil, apenas um está formalmente empregado em ocupações típicas da profissão. Isso mostra que o país tem um número suficiente de engenheiros para dar conta dos novos postos que devem surgir com o crescimento econômico. No entanto, é necessário que aumente a proporção de profissionais dedicados às áreas específicas da engenharia, para que o país dê conta de acompanhar os cenários mais otimistas. A avaliação é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e consta da sexta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Segundo o Ipea, o estudo foi motivado pela possibilidade de não haver número suficiente de engenheiros no país para dar conta da demanda que deverá surgir com o crescimento econômico. Isso, assinala a instituição, poderia resultar em um "apagão de mão de obra qualificada", caso a economia venha a crescer a taxas mais altas ou por causa de mudanças tecnológicas, principalmente em alguns setores, como o do pré-sal.
De acordo com o Ipea, a demanda tem superado o aumento de oferta de mão de obra no mercado. O ponto que mais preocupa seria a baixa proporção de formados que estão formalmente empregados em ocupações típicas da profissão. Para realizar o estudo, o Ipea identificou o requerimento técnico por engenheiro - quantidade de profissionais com essa competência requerida tecnicamente para atender a um determinado nível de produção - para formação do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, projetou a quantidade de engenheiros potencialmente necessários a cada ano, entre 2009 e 2022.
Em 2008, o estoque de graduados em engenharia foi de cerca de 750 mil, enquanto o requerimento técnico por esses profissionais foi de 211.713 profissionais. No ano anterior, o total de graduados foi de 188.654 e em 2006, 174.183. Três cenários distintos, em relação ao crescimento do PIB - 3%, 5% e 7% ao ano - foram analisados. As projeções levaram em conta apenas empregados em ocupações identificadas como próprias de engenheiros, arquitetos e outros profissionais correlatos e pondera que há muitos diplomados em engenharia que exercem outras ocupações e não foram incluídos no estudo. Baseadas nos números de pessoas que concluíram os cursos de engenharia, na produção e na construção no Brasil, além da projeção dos formandos, o Ipea estima que em 2015 haverá 1,099 milhão de engenheiros disponíveis no mercado.
O estudo constata também que, à primeira vista, a disponibilidade de engenheiros seria suficiente para enfrentar a demanda, desde que o crescimento do PIB se mantenha em 3% ao ano e a proporção entre formados, na comparação com os formalmente empregados, caia para três por um - atualmente, de cada 3,5 engenheiros formados apenas um está empregado formalmente em ocupações típicas. No patamar três por um, a demanda estaria em 1,001 milhão de profissionais em 2015. Número abaixo dos 1,099 milhão de engenheiros que deverão estar atuando no mercado, segundo o Ipea. Caso o crescimento do PIB fique a 5% ao ano, serão necessários 1,155 milhões de profissionais - número ligeiramente maior do que o previsto (1,099 milhão). E, com crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de engenheiros.
Já a projeção para 2022 aponta que haverá 1,565 milhões de engenheiros em ocupações típicas - número suficiente para dar conta da demanda caso o PIB cresça 3% ou 5% ao ano. Mas para isso será necessário que se aumente a proporção de profissionais dedicados a atuar nas ocupações típicas de engenharia, e de cada dois formados, um esteja dedicado a elas. Caso se mantenha o quadro atual - de 3,5 formados, um atua em emprego típico-, a demanda será de 1,861 milhão de engenheiros, para o caso de um PIB com crescimento de 3% ao ano; e de 2,48 milhões de engenheiros para o caso de se registrar crescimento do PIB em 5% ao ano. Na proporção de 3 para um, ficarão bem próximas a demanda e a oferta de profissionais no ano de 2022, serão necessários 1,595 milhão de engenheiros para um mercado que deverá ser de 1,565 engenheiros, caso de o PIB cresça 3% ao ano. Caso cresça 5% serão necessários 2,125 milhões de engenheiros; e 3,405 milhões, caso o PIB tenha crescimento anual de 7%.
Ipea: Brasil forma muitos engenheiros nas faculdades, mas poucos trabalham na profissão
De cada 3,5 engenheiros formados no Brasil, apenas um está formalmente empregado em ocupações típicas da profissão. Isso mostra que o país tem um número suficiente de engenheiros para dar conta dos novos postos que devem surgir com o crescimento econômico. No entanto, é necessário que aumente a proporção de profissionais dedicados às áreas específicas da engenharia, para que o país dê conta de acompanhar os cenários mais otimistas. A avaliação é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e consta da sexta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Segundo o Ipea, o estudo foi motivado pela possibilidade de não haver número suficiente de engenheiros no país para dar conta da demanda que deverá surgir com o crescimento econômico. Isso, assinala a instituição, poderia resultar em um "apagão de mão de obra qualificada", caso a economia venha a crescer a taxas mais altas ou por causa de mudanças tecnológicas, principalmente em alguns setores, como o do pré-sal.
De acordo com o Ipea, a demanda tem superado o aumento de oferta de mão de obra no mercado. O ponto que mais preocupa seria a baixa proporção de formados que estão formalmente empregados em ocupações típicas da profissão. Para realizar o estudo, o Ipea identificou o requerimento técnico por engenheiro - quantidade de profissionais com essa competência requerida tecnicamente para atender a um determinado nível de produção - para formação do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, projetou a quantidade de engenheiros potencialmente necessários a cada ano, entre 2009 e 2022.
Em 2008, o estoque de graduados em engenharia foi de cerca de 750 mil, enquanto o requerimento técnico por esses profissionais foi de 211.713 profissionais. No ano anterior, o total de graduados foi de 188.654 e em 2006, 174.183. Três cenários distintos, em relação ao crescimento do PIB - 3%, 5% e 7% ao ano - foram analisados. As projeções levaram em conta apenas empregados em ocupações identificadas como próprias de engenheiros, arquitetos e outros profissionais correlatos e pondera que há muitos diplomados em engenharia que exercem outras ocupações e não foram incluídos no estudo. Baseadas nos números de pessoas que concluíram os cursos de engenharia, na produção e na construção no Brasil, além da projeção dos formandos, o Ipea estima que em 2015 haverá 1,099 milhão de engenheiros disponíveis no mercado.
O estudo constata também que, à primeira vista, a disponibilidade de engenheiros seria suficiente para enfrentar a demanda, desde que o crescimento do PIB se mantenha em 3% ao ano e a proporção entre formados, na comparação com os formalmente empregados, caia para três por um - atualmente, de cada 3,5 engenheiros formados apenas um está empregado formalmente em ocupações típicas. No patamar três por um, a demanda estaria em 1,001 milhão de profissionais em 2015. Número abaixo dos 1,099 milhão de engenheiros que deverão estar atuando no mercado, segundo o Ipea. Caso o crescimento do PIB fique a 5% ao ano, serão necessários 1,155 milhões de profissionais - número ligeiramente maior do que o previsto (1,099 milhão). E, com crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,462 milhão de engenheiros.
Já a projeção para 2022 aponta que haverá 1,565 milhões de engenheiros em ocupações típicas - número suficiente para dar conta da demanda caso o PIB cresça 3% ou 5% ao ano. Mas para isso será necessário que se aumente a proporção de profissionais dedicados a atuar nas ocupações típicas de engenharia, e de cada dois formados, um esteja dedicado a elas. Caso se mantenha o quadro atual - de 3,5 formados, um atua em emprego típico-, a demanda será de 1,861 milhão de engenheiros, para o caso de um PIB com crescimento de 3% ao ano; e de 2,48 milhões de engenheiros para o caso de se registrar crescimento do PIB em 5% ao ano. Na proporção de 3 para um, ficarão bem próximas a demanda e a oferta de profissionais no ano de 2022, serão necessários 1,595 milhão de engenheiros para um mercado que deverá ser de 1,565 engenheiros, caso de o PIB cresça 3% ao ano. Caso cresça 5% serão necessários 2,125 milhões de engenheiros; e 3,405 milhões, caso o PIB tenha crescimento anual de 7%.
Em SP, universidade dá aulas de reforço gratuitas para alunos do ensino médio
Portal G1, 24/02/2010,
Em SP, universidade dá aulas de reforço gratuitas para alunos do ensino médio
São Judas promove cursos de redação, matemática e química. Inscrições foram estendidas até o dia 9 de março
Do G1, em São Paulo
Estudantes do ensino médio interessados em ter aulas de reforço de redação, matemática ou química têm até o dia 9 de março para se inscrever nos cursos gratuitos oferecidos pela Universidade São Judas, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas somente pelo telefone (11) 2799-1922. Os candidatos passarão por entrevistas de avaliação de perfil e devem estar cursando o 3º ano do ensino médio. No curso de técnicas de redação, os alunos vão trabalhar a interpretação e produção de textos. Entre as atividades programadas estão a transformação de fotografias em textos descritivos e narrativos; leitura e reprodução de textos: notícia de jornal, matérias de revistas, crônicas, lendas, contos e poesias. O curso acontece de março a junho, às terças e quintas-feiras, das 15h às 18h.
As aulas de matemática têm como objetivo serem um reforço da formação escolar. Dentre os assuntos abordados pelos professores estão: equações e sistemas do 2º grau; progressões aritméticas e geométricas; estudo de matrizes; determinantes, trigonometria e noções de estatística. O curso acontece de março a junho, às segundas e quartas-feiras, das 14h às 17h. Nas oficinas de química, o estudante irá aprimorar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. As atividades propostas incluem o estudo de métodos de separação, polaridade, nutrição; reações de óxido-redução, solubilidade de gases e química ambiental. O curso acontece de março a junho, às segundas e quartas-feiras, das 14h às 16h.
Em SP, universidade dá aulas de reforço gratuitas para alunos do ensino médio
São Judas promove cursos de redação, matemática e química. Inscrições foram estendidas até o dia 9 de março
Do G1, em São Paulo
Estudantes do ensino médio interessados em ter aulas de reforço de redação, matemática ou química têm até o dia 9 de março para se inscrever nos cursos gratuitos oferecidos pela Universidade São Judas, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas somente pelo telefone (11) 2799-1922. Os candidatos passarão por entrevistas de avaliação de perfil e devem estar cursando o 3º ano do ensino médio. No curso de técnicas de redação, os alunos vão trabalhar a interpretação e produção de textos. Entre as atividades programadas estão a transformação de fotografias em textos descritivos e narrativos; leitura e reprodução de textos: notícia de jornal, matérias de revistas, crônicas, lendas, contos e poesias. O curso acontece de março a junho, às terças e quintas-feiras, das 15h às 18h.
As aulas de matemática têm como objetivo serem um reforço da formação escolar. Dentre os assuntos abordados pelos professores estão: equações e sistemas do 2º grau; progressões aritméticas e geométricas; estudo de matrizes; determinantes, trigonometria e noções de estatística. O curso acontece de março a junho, às segundas e quartas-feiras, das 14h às 17h. Nas oficinas de química, o estudante irá aprimorar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. As atividades propostas incluem o estudo de métodos de separação, polaridade, nutrição; reações de óxido-redução, solubilidade de gases e química ambiental. O curso acontece de março a junho, às segundas e quartas-feiras, das 14h às 16h.
Brasil alcançará atual índice chileno de jovens no ensino superior apenas em 2022
Portal Aprendiz, 24/02/2010
Brasil alcançará atual índice chileno de jovens no ensino superior apenas em 2022
Apenas em 2022 o Brasil alcançará um índice de jovens inseridos no ensino superior próximo ao apresentado pelo Chile hoje, mesmo com as atuais políticas de inclusão. O diagnóstico é de uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), que comparou o acesso à universidade nos dois países. Em 2006, 12% dos brasileiros entre 18 e 24 anos estudavam no ensino superior contra 27% no Chile. Em 2022, o percentual de universitários dessa faixa etária no Brasil deve ser 25%, segundo uma projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Os motivos para isto estão relacionados centralmente à maior desigualdade de renda encontrada na sociedade brasileira, sendo a desigualdade de acesso ao ensino superior um espelho da desigualdade de renda da sociedade”, avalia Luana Goveia, autora da pesquisa, intitulada “Ensino superior público e privado no Brasil e no Chile desde as reformas educacionais de 1968 e de 1981 até a década de 2000: Financiamento, acesso e desigualdade”.
Soma-se à concentração de renda, segundo a pesquisa, o atraso brasileiro na implantação de programas de inclusão no ensino superior e a não obrigatoriedade do ensino médio no Brasil — será uma exigência a partir de 2016, de acordo com a emenda constitucional 59/09, de novembro de 2009. “O Brasil enfrenta uma queda no número de estudantes na passagem do ensino fundamental para o médio e depois outra do médio para o superior. O Chile enfrenta apenas uma queda, do médio para o superior”, aponta Luana. Hoje o Chile é o país com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul. O país ocupa a 44ª posição no ranking mundial (0,878 pontos), enquanto que o Brasil é o número 75 (0,813 pontos). O IDH mede os avanços alcançados por um país em três aspectos: vida longa e saudável (baseado na esperança média de vida ao nascer), acesso ao conhecimento (baseado na alfabetização e na escolarização) e nível de vida digno (baseado no PIB per capita associado ao poder de compra em dólares americanos). Os países são classificados dentro desses aspectos em valores médios entre 0 e 1.
Programas de inclusão - Nos últimos anos, o Brasil tem sido bem sucedido em incluir estudantes de baixa renda no ensino superior, segundo a pesquisa, por meio de iniciativas como a implantação de cotas para negros em vestibulares e o oferecimento de bolsas de estudo em universidades privadas. Com essas medidas, o percentual de universitários no Brasil cresceu mais que no Chile nos últimos sete anos, mas em um ritmo insuficiente para alcançar o país vizinho, de acordo com o estudo.
O Chile privatizou todo o seu sistema ensino superior e passou a cobrar matrículas e mensalidades em todas as universidades públicas desde 1980, com a ditadura do general Augusto Pinochet. “Assim, garantiu o acesso da classe média, que apoiava o regime, e tirou verba das universidades contrárias a ditadura”, lembra Luana. Com a medida, o país começou a implantar programas de inclusão pelo menos dez anos antes que o Brasil. “Enquanto o Chile desde 1980 têm programas de bolsas e créditos baseado em critérios de renda e de notas, o Brasil começou com programas inclusivos no fim da década de 1990, quando foi detectada grande ociosidade das vagas do setor privado”, avalia Luana. “Os programas chilenos foram se estruturando ao longo dos anos e hoje abrangem quase 50% dos estudantes”.
Brasil alcançará atual índice chileno de jovens no ensino superior apenas em 2022
Apenas em 2022 o Brasil alcançará um índice de jovens inseridos no ensino superior próximo ao apresentado pelo Chile hoje, mesmo com as atuais políticas de inclusão. O diagnóstico é de uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), que comparou o acesso à universidade nos dois países. Em 2006, 12% dos brasileiros entre 18 e 24 anos estudavam no ensino superior contra 27% no Chile. Em 2022, o percentual de universitários dessa faixa etária no Brasil deve ser 25%, segundo uma projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Os motivos para isto estão relacionados centralmente à maior desigualdade de renda encontrada na sociedade brasileira, sendo a desigualdade de acesso ao ensino superior um espelho da desigualdade de renda da sociedade”, avalia Luana Goveia, autora da pesquisa, intitulada “Ensino superior público e privado no Brasil e no Chile desde as reformas educacionais de 1968 e de 1981 até a década de 2000: Financiamento, acesso e desigualdade”.
Soma-se à concentração de renda, segundo a pesquisa, o atraso brasileiro na implantação de programas de inclusão no ensino superior e a não obrigatoriedade do ensino médio no Brasil — será uma exigência a partir de 2016, de acordo com a emenda constitucional 59/09, de novembro de 2009. “O Brasil enfrenta uma queda no número de estudantes na passagem do ensino fundamental para o médio e depois outra do médio para o superior. O Chile enfrenta apenas uma queda, do médio para o superior”, aponta Luana. Hoje o Chile é o país com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul. O país ocupa a 44ª posição no ranking mundial (0,878 pontos), enquanto que o Brasil é o número 75 (0,813 pontos). O IDH mede os avanços alcançados por um país em três aspectos: vida longa e saudável (baseado na esperança média de vida ao nascer), acesso ao conhecimento (baseado na alfabetização e na escolarização) e nível de vida digno (baseado no PIB per capita associado ao poder de compra em dólares americanos). Os países são classificados dentro desses aspectos em valores médios entre 0 e 1.
Programas de inclusão - Nos últimos anos, o Brasil tem sido bem sucedido em incluir estudantes de baixa renda no ensino superior, segundo a pesquisa, por meio de iniciativas como a implantação de cotas para negros em vestibulares e o oferecimento de bolsas de estudo em universidades privadas. Com essas medidas, o percentual de universitários no Brasil cresceu mais que no Chile nos últimos sete anos, mas em um ritmo insuficiente para alcançar o país vizinho, de acordo com o estudo.
O Chile privatizou todo o seu sistema ensino superior e passou a cobrar matrículas e mensalidades em todas as universidades públicas desde 1980, com a ditadura do general Augusto Pinochet. “Assim, garantiu o acesso da classe média, que apoiava o regime, e tirou verba das universidades contrárias a ditadura”, lembra Luana. Com a medida, o país começou a implantar programas de inclusão pelo menos dez anos antes que o Brasil. “Enquanto o Chile desde 1980 têm programas de bolsas e créditos baseado em critérios de renda e de notas, o Brasil começou com programas inclusivos no fim da década de 1990, quando foi detectada grande ociosidade das vagas do setor privado”, avalia Luana. “Os programas chilenos foram se estruturando ao longo dos anos e hoje abrangem quase 50% dos estudantes”.
Certificação: Mais uma atribuição do Enem
Folha Dirigida, 23/02/2010 - Rio de Janeiro RJ
Certificação: Mais uma atribuição do Enem
A partir deste ano, o aproveitamento das notas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) também servirá de base para a obtenção do certificado de conclusão do Ensino Médio. Ou seja, o antigo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), foi substítuido pela nota do Enem. A medida adotada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), porém, está gerando discussão, já que uma boa nota no Enem pode garantir a conclusão do ensino médio para aqueles que estudam através da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Uma outra questão relevante seria o fato deste substituição desestimular alguns alunos a prosseguir com os seus estudos, já que garantem, automaticamente, um diploma que poderá ser usado para conseguir um emprego ou realizar um concurso público. Para alguns educadores a medida pode ser nociva à melhoria da educação já que, na visão deles, a substituição do Encceja pelo Enem pode provocar um atropelamento no ciclo natural da educação. O professor Marcelo Côrrea e Castro, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio deJaneiro (UFRJ), é um dos profissionais da educação que pensam assim. Ele também faz uma crítica ao sistema de certificados.
"Esta lógica do Encceja representa um desvio histórico da educação brasileira. O que está ocorrendo é a troca do ensino pelo certificado. Acredito que este sistema esteja criando um dilema entre a aprendizagem e a conclusão de um ciclo de ensino", critica o professor. Para ele, o novo sistema de certificação é reflexo de um desinteresse pela aprendizagem. "Não há uma preocupação em saber como o aluno chegou àquele estágio de ensino, e sim se ele irá passar, ou não, no exame. Não é uma prova que irá avaliar o que ele aprendeu em três anos de ensino médio. O governo está desobrigando as instituições de ensino a ensinarem, eles fazem muitas medidas de impactos de números, mas faltam medidas que causem impacto na qualidade de ensino", reclama o educador. Marcelo acredita que a solução ideal para que o aluno possa concluir integralmente os seus estudos e conseqüentemente não precisar de um certificado, é a melhoria na educação. "Acho que o Brasil perdeu, nesses oito anos de governo do presidente Lula, uma grande oportunidade de fazer um investimento pesado na educação básica. Não se pode abreviar a educação com certificados e sim investir na educação desde o ensino infantil.
Também é preciso investir mais na educação de jovens e adultos que está muito empobrecida, fraca", conclui. O professor Fabiano Félix, da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), faz coro a Marcelo. Para ele, este sistema pode ser um desestímulo aos alunos. "Ninguém é a favor desta substituição, todos nós, educadores, queremos questionar o Estado. O que o governo está fazendo com o Enem é um incentivo ao aluno não querer estudar mais, não concordo com esta medida. Estamos retrocedendo cada vez mais", lamenta o professor. Félix não acredita que os alunos de EJA possam ter um bom desempenho no Enem, ainda mais porque eles estão concorrendo com alunos melhor capacitados. "Esses estudantes de EJA fazem esta prova juntamente com alunos que se preparam bem, fizeram um bom curso e esses alunos muitas vezes estudam em condições adversas. É preciso primeiramente diminuir a taxa de analfabetismo, dar condições de estudo para esses jovens", afirma o professor.
Na direção contrária dos educadores, está o professor Waldeck Carneiro. Waldeck, que é diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), pensa que a substituição do Encceja pelas notas do Enem pode ser um estímulo, mas faz algumas ressalvas. "Acredito que esta medida, por um lado, possa ser um estímulo às instituições de ensino que oferecem o curso de EJA, um incentivo também ao aluno, para que ele possa aprofundar os estudos e, num longo prazo, a instituição possa aprimorar o ensino. Porém, para que isto ocorra, é necessária a criação de políticas que pressionem as escolas, para que elas ofereçam melhores condições de ensino. Mas creio que esta nova forma de se obter o certificado possa, num longo prazo, ajudar a trazer uma melhoria na qualidade nas escolas de EJA", diz. Para Paulo Roberto Corbucci, técnico de Planejamento e Pesquisa de Estudos e Políticas Sociais do do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é preciso que esta substituição seja acompanhada de perto. "Nenhuma política é infalível, e com o Enem não poderia ser diferente. É preciso que se criem instrumentos de avaliação para analisarmos os resultados e ver se essa medida deu certo. É necesário uma garantia da qualidade do exame para que ele não prejudique esses jovens e a educação como um todo", afirma Corbucci. Procurada pela reportagem para responder às críticas dos educadores, a direção do Inep preferiu não se manifestar a respeito das mudanças incorporadas este ano à concessão do certificado de ensino médio.
Pedidos devem ser feitos até o dia 31 de março - De acordo com as normas divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC), aqueles que tiverem 18 anos ou mais e obtiveram 400 pontos na parte prática e 500 pontos na redação da prova do Enem podem entrar com um pedido de certificação do ensino médio até o dia 31 de março, na página eletrônica do Inep. Ainda de acordo com o MEC, as secretarias estaduais de educação são as responsáveis pela emissão dos certificados, tendo a liberdade de usar os critérios ue acharem necessários para a certificação, com base nas notas do Enem. As instituições federais de ensino superior também podem emitir certificados de conclusão do Ensino Médio. Até o ano passado, a nota mínima para conseguir o certificado era de 100 pontos no Encceja. Então o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), orgão do MEC, montou uma análise estatística para fazer uma correlação entre a nota de corte do antigo Encceja e a atual nota do Enem. De acordo com a pesquisa "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", organizado pelo Ipea, somente 6,2% dos jovens que participam de programas de alfabetização, os chmados supletivos, dão continuidade aos estudos. Esta discrepância teria sido uma das razões para a substituição do Encceja pelo Enem na certificação do ensino médio.
Certificação: Mais uma atribuição do Enem
A partir deste ano, o aproveitamento das notas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) também servirá de base para a obtenção do certificado de conclusão do Ensino Médio. Ou seja, o antigo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), foi substítuido pela nota do Enem. A medida adotada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), porém, está gerando discussão, já que uma boa nota no Enem pode garantir a conclusão do ensino médio para aqueles que estudam através da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Uma outra questão relevante seria o fato deste substituição desestimular alguns alunos a prosseguir com os seus estudos, já que garantem, automaticamente, um diploma que poderá ser usado para conseguir um emprego ou realizar um concurso público. Para alguns educadores a medida pode ser nociva à melhoria da educação já que, na visão deles, a substituição do Encceja pelo Enem pode provocar um atropelamento no ciclo natural da educação. O professor Marcelo Côrrea e Castro, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio deJaneiro (UFRJ), é um dos profissionais da educação que pensam assim. Ele também faz uma crítica ao sistema de certificados.
"Esta lógica do Encceja representa um desvio histórico da educação brasileira. O que está ocorrendo é a troca do ensino pelo certificado. Acredito que este sistema esteja criando um dilema entre a aprendizagem e a conclusão de um ciclo de ensino", critica o professor. Para ele, o novo sistema de certificação é reflexo de um desinteresse pela aprendizagem. "Não há uma preocupação em saber como o aluno chegou àquele estágio de ensino, e sim se ele irá passar, ou não, no exame. Não é uma prova que irá avaliar o que ele aprendeu em três anos de ensino médio. O governo está desobrigando as instituições de ensino a ensinarem, eles fazem muitas medidas de impactos de números, mas faltam medidas que causem impacto na qualidade de ensino", reclama o educador. Marcelo acredita que a solução ideal para que o aluno possa concluir integralmente os seus estudos e conseqüentemente não precisar de um certificado, é a melhoria na educação. "Acho que o Brasil perdeu, nesses oito anos de governo do presidente Lula, uma grande oportunidade de fazer um investimento pesado na educação básica. Não se pode abreviar a educação com certificados e sim investir na educação desde o ensino infantil.
Também é preciso investir mais na educação de jovens e adultos que está muito empobrecida, fraca", conclui. O professor Fabiano Félix, da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), faz coro a Marcelo. Para ele, este sistema pode ser um desestímulo aos alunos. "Ninguém é a favor desta substituição, todos nós, educadores, queremos questionar o Estado. O que o governo está fazendo com o Enem é um incentivo ao aluno não querer estudar mais, não concordo com esta medida. Estamos retrocedendo cada vez mais", lamenta o professor. Félix não acredita que os alunos de EJA possam ter um bom desempenho no Enem, ainda mais porque eles estão concorrendo com alunos melhor capacitados. "Esses estudantes de EJA fazem esta prova juntamente com alunos que se preparam bem, fizeram um bom curso e esses alunos muitas vezes estudam em condições adversas. É preciso primeiramente diminuir a taxa de analfabetismo, dar condições de estudo para esses jovens", afirma o professor.
Na direção contrária dos educadores, está o professor Waldeck Carneiro. Waldeck, que é diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), pensa que a substituição do Encceja pelas notas do Enem pode ser um estímulo, mas faz algumas ressalvas. "Acredito que esta medida, por um lado, possa ser um estímulo às instituições de ensino que oferecem o curso de EJA, um incentivo também ao aluno, para que ele possa aprofundar os estudos e, num longo prazo, a instituição possa aprimorar o ensino. Porém, para que isto ocorra, é necessária a criação de políticas que pressionem as escolas, para que elas ofereçam melhores condições de ensino. Mas creio que esta nova forma de se obter o certificado possa, num longo prazo, ajudar a trazer uma melhoria na qualidade nas escolas de EJA", diz. Para Paulo Roberto Corbucci, técnico de Planejamento e Pesquisa de Estudos e Políticas Sociais do do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é preciso que esta substituição seja acompanhada de perto. "Nenhuma política é infalível, e com o Enem não poderia ser diferente. É preciso que se criem instrumentos de avaliação para analisarmos os resultados e ver se essa medida deu certo. É necesário uma garantia da qualidade do exame para que ele não prejudique esses jovens e a educação como um todo", afirma Corbucci. Procurada pela reportagem para responder às críticas dos educadores, a direção do Inep preferiu não se manifestar a respeito das mudanças incorporadas este ano à concessão do certificado de ensino médio.
Pedidos devem ser feitos até o dia 31 de março - De acordo com as normas divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC), aqueles que tiverem 18 anos ou mais e obtiveram 400 pontos na parte prática e 500 pontos na redação da prova do Enem podem entrar com um pedido de certificação do ensino médio até o dia 31 de março, na página eletrônica do Inep. Ainda de acordo com o MEC, as secretarias estaduais de educação são as responsáveis pela emissão dos certificados, tendo a liberdade de usar os critérios ue acharem necessários para a certificação, com base nas notas do Enem. As instituições federais de ensino superior também podem emitir certificados de conclusão do Ensino Médio. Até o ano passado, a nota mínima para conseguir o certificado era de 100 pontos no Encceja. Então o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), orgão do MEC, montou uma análise estatística para fazer uma correlação entre a nota de corte do antigo Encceja e a atual nota do Enem. De acordo com a pesquisa "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", organizado pelo Ipea, somente 6,2% dos jovens que participam de programas de alfabetização, os chmados supletivos, dão continuidade aos estudos. Esta discrepância teria sido uma das razões para a substituição do Encceja pelo Enem na certificação do ensino médio.
Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia Ascom MEC
Correio Braziliense, 24/02/2010 - Brasília DF
Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia
Ascom MEC
Cinco cursos superiores de tecnologia serão avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), conforme portaria publicada nesta terça-feira, 23, no Diário Oficial da União. Os estudantes ingressantes e concluintes de agroindústria, agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia farão o Enade no dia 7 de novembro deste ano às 13h, horário de Brasília. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgará as instruções para a realização do exame até o dia 20 de maio. A inscrição dos estudantes é de responsabilidade das instituições de ensino e deve ser feita no período entre 2 e 31 de agosto.
A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica tem obtido bons resultados no Enade. Em 2009, foi divulgado o desempenho dos estudantes de cursos superiores de tecnologia que fizeram a prova em 2008. Ao todo, 18 cursos da rede federal obtiveram conceito máximo, nota cinco numa escala que vai de zero a cinco. Outros 28 cursos ficaram com conceito 4, nota também considerada como muito boa. A expectativa é repetir o bom desempenho da rede também em 2010. “Estamos investindo pesadamente em educação profissional em todo o país. Certamente, isso terá reflexo no exame”, afirmou Eliezer Pacheco, secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação. Em 2009, o Enade foi aplicado a 1,1 milhão de estudantes em 997 cidades brasileiras
Exame avaliará em 2010 cinco cursos superiores de tecnologia
Ascom MEC
Cinco cursos superiores de tecnologia serão avaliados em 2010 pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), conforme portaria publicada nesta terça-feira, 23, no Diário Oficial da União. Os estudantes ingressantes e concluintes de agroindústria, agronegócios, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia farão o Enade no dia 7 de novembro deste ano às 13h, horário de Brasília. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgará as instruções para a realização do exame até o dia 20 de maio. A inscrição dos estudantes é de responsabilidade das instituições de ensino e deve ser feita no período entre 2 e 31 de agosto.
A Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica tem obtido bons resultados no Enade. Em 2009, foi divulgado o desempenho dos estudantes de cursos superiores de tecnologia que fizeram a prova em 2008. Ao todo, 18 cursos da rede federal obtiveram conceito máximo, nota cinco numa escala que vai de zero a cinco. Outros 28 cursos ficaram com conceito 4, nota também considerada como muito boa. A expectativa é repetir o bom desempenho da rede também em 2010. “Estamos investindo pesadamente em educação profissional em todo o país. Certamente, isso terá reflexo no exame”, afirmou Eliezer Pacheco, secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação. Em 2009, o Enade foi aplicado a 1,1 milhão de estudantes em 997 cidades brasileiras

Crianças agressivas: como lidar com elas?
A agressividade infantil pode se tornar um hábito para a vida adulta, se não cuidada com o devido preparo...
A infância é o período mais rico e importante da vida de qualquer pessoa. Nesta fase são absorvidos valores e despertados talentos. Muitos comportamentos adultos têm suas primeiras manifestações nesta saudosa fase tão linda e inocente.
Crianças na primeira infância muitas vezes se expressam mordendo, gritando, beslicando ou chutando. Antoniele Fagundes, Consultora Familiar e dona da empresa Babá Ideal, explica que nos primeiros anos de vida as crianças estão aprendendo como funciona a sociedade e quais as suas potencialidades. Testar as capacidades que nosso corpo pode fazer como chutar e gritar ou experimentar o corpo de outra pessoa, mordendo ou beliscando é um importante aprendizado.
Caso esse comportamento perdure ou aconteça de forma exacerbada, pode ser um sinal de que algo não está bem. Os pais devem estar atentos aos ataques de agressão e conversar de forma firme, mostrando que a criança pode adquirir o que deseja sem ter que machucar o outro. “O castigo pode ser temporariamente satisfatório para os pais. No entanto, pelos exemplos que tenho acompanhado, apenas dá uma pausa e faz a criança muitas vezes ficar mais tensa ao ter que lidar sozinha e quieta com aquelas sensações de euforia e agressividade”, aponta Antoniele.
Há casos em que os pais se culpam pelo pouco tempo passado com os filhos e deixam de cumprir seu papel de orientador e disciplinador durante os momentos que estão juntos. A permissividade que atualmente existe em muitos lares é fator importante na observação de um quadro de agressividade infantil. “As crianças estão a todo tempo testando os limites do seu comportamento para saber até onde podem ir. Quando os pais ou educadores não impõem regras claras e firmes, a criança sofre com a falta de alguém para limitar suas ações”, esclarece a consultora.
Regras e limites são importantes para que as crianças aprendam a controlar seus impulsos agressivos e lidar com as frustrações para conviver em sociedade de forma saudável. A falta de orientação e limites permite que a criança cresça desestruturada. Pais com posturas firmes e carinhosas conseguem equilibrar a situação.
Para famílias que já tentaram diversas maneiras de conter atitudes negativas de seus filhos e mesmo assim ainda possuem dificuldades em conseguir uma solução definitiva, a consultoria familiar tem muito a oferecer. Através de conversas esclarecedoras, os pais podem se dar conta que pequenos gestos contribuirão para a felicidade maior do filho e harmonia familiar.
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